Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 16/06/2020

O romance “O Guarani”,do célebre escritor José de Alencar, retrata o indianismo presente na primeira fase do Romantismo e, marcado pelo anticolonialismo e antilusitanismo, narra a figura indígena como herói, consequência dos autores da época que buscavam uma identidade nacional. Analogamente, é visível que, no atual panorama brasileiro, o cenário é diferente, haja vista que as comunidades indígenas tornaram-se alvo de preconceito e marginalização. Dessa forma, seja pelo descaso da diversidade indígena, seja pela falta de infraestrutura, faz-se necessária a adoção de estratégias para reverter esse cenário.

Sob um primeiro viés, é mister analisar a desvalorização da cultura do povo nativo brasileiro. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI), promulgada em 1967, é responsável por promover e assegurar o direito dos índios. Entretanto, é perceptível a dificuldade de ratificar tal direito, dado que, como não há um bom conhecimento da sociedade acerca da diversidade, línguas próprias e necessidades que as tribos possuem, as propostas educacionais não visam acabar efetivamente com a realidade vivenciadas por essas pessoas. Assim, é de suma importância que, conforme previsto na Câmara de Educação Básica, haja a valorização plena da etnia e o direito à um ensino próprio que supra os requerimentos dessa população.

Outrossim, é visível que a precária realidade nas escolas é um impasse para proporcionar um bom ensinamento. Nesse sentido, segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado garantir, através de medidas, o bem-estar coletivo. No entanto, nota-se que as instituições de aprendizagem das aldeias aborígenes sofrem com uma má infraestrutura, prova disso é a falta de saneamento básico, luz elétrica, refeitórios e bibliotecas. Nessa perspectiva, o cenário contribui para a disparidade educacional e a defasagem contínua de ensino. Logo, é evidente que o Estado não assegura o bem-estar dessa minoria, como proposto pelo filósofo, e torna-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Portanto, é mister analisar que os desafios para a educação indígena no Brasil é uma preocupante barreira no país. Para tanto, os veículos midiáticos devem, por meio da internet, jornais, rádios, televisão e revistas, promover matérias, documentários e propagandas, a fim de debater acerca da importância da diversidade cultural para a sociedade e, dessa forma, tornar todos cientes dos seus direitos e deveres. Além disso, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, garantir, com a utilização de verbas, reformas e construções de mais instituições escolares destinadas às tribos para que supram suas necessidades, com o intuito de assegurar uma boa escolarização e formação. Só assim será possível, conforme dito por John Locke, que o Estado cuide de seus “filhos”.