Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 19/06/2020

A questão da educação dos indígenas teve início com a chegada dos Portugueses ao Brasil com a ideia de civilizar os povos que habitavam essas terras e, apesar de os índios serem as primeiras populações do país, são prejudicados no quesito educação. Diante disso, é necessário debater acerca deste assunto, uma vez que envolve não somente as escolas das aldeias, mas também universidades e outras escolas das cidades e também o método adotado para o processo de seleção (ENEM e outros vestibulares) é injusto com as minorias desprivilegiadas.

Em primeiro lugar, segundo o senso de 2016, 63% dos indígenas não conseguiu ingressar nas universidades federais ou particulares, levando em consideração que os programas como o FIES, que ajuda apenas 2,4% desses, e o PROUNI não priorizam as minorias e que o ENEM é uma prova para a minoria, que está nos centros urbanos, fala e entende a Língua Portuguesa em sua norma-culta, enquanto a população indígena, além de receber um ensino de acordo com a cultura referida, não tem o mesmo contato e afinidade com o português falado no país. Dessa forma, o ensino superior para índios fica prejudicado pelo processo de seleção que não inclui a língua indígena na prova, dificultando a realização da mesma para esses indivíduos.

Por conseguinte, as escolas nas aldeias não têm o mesmo ensino que as instituições dos centros urbanos. Nas comunidades indígenas, 95% dos professores são índios, o que de certa forma contribui para a desigualdade no ensino, visto que os alunos não têm contato com as pessoas da cidade e, assim, não se adaptam a língua falada. Entretanto, o povo indígena não pode ser obrigado a renunciar o próprio idioma para aprender outro. Os métodos de ensino, bem como a aplicação do exame de seleção deveriam ser acessíveis aos índios, assim como é adaptada para cegos e deficientes intelectuais. É garantido constitucionalmente a esses povos, uma educação específica, diferenciada, intercultural, multilíngue e comunitária, confirmando o fato de que não são os povos indígenas que devem abrir mão da sua cultura, mas sim o governo que deve adaptar a educação à situação vivida nas aldeias, visto que estes indivíduos também têm direitos.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação em parceria com a FUNAI, unificar os métodos de educação e ingresso em universidades para que sejam justos e acessíveis a todos, tanto para os indígenas, quanto para os jovens das cidades, a fim de melhorar a formação dos índios sem que sejam prejudicados por questões etno culturais, por meio da adaptação do ensino das escolas nas aldeias e do método de seleção (ENEM e vestibulares). Sendo assim, haverá uma democratização do ensino no país, diminuindo a exclusão social dos índigenas.