Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 19/06/2020

A partir de 1500, os colonizadores portugueses impuseram, por causa da sua ótica europeia narcisista, sua religião, costumes e valores, subjugando as culturas dos povos nativos brasilianos. Sob esse viés, convém discorrer acerca dos desafios para a educação da população indígena no contexto brasileiro hodierno, uma vez que corrobora para a perpetuação da memória social no país. Desse modo, faz-se indispensável abordar tanto a presença de um ensino não inclusivo quanto a percepção repleta de preconceitos para com essas populações.

A princípio, urge apontar quão excludente as disciplinas são, visto que, nelas, falta a inclusão das tradições dos povos indígenas. Conforme o filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além do que a educação faz dele”. Diante disso, se não houver a presença e a valorização, por exemplo, das artes e da tradições desses povos no método pedagógico, faltará a identificação do aluno no processo de aprendizagem e, então, a perpetuação da cultura desses importantes grupos sociais brasilenses será deficitária.  Logo, é notória a presença de trejeitos sutilmente opressores na educação atual, por meio da submissão a um método educacional fundamentado na cultura não indígena (bem como ocorria na catequização, 500 anos atrás).

Ademais, convém ressaltar a intensa quantia de estereótipos relativos à figura indígena. Desde que o Romantismo idealizou os indígenas como “heróis”, implementou-se uma visão eurocêntrica acerca dessas pessoas. Na contemporaneidade, vê-se a inalteração dessa perspectiva, como, a título de exemplo, o ocorrido neste semestre de 2020, quando uma página no “Twitter” – cuja função era expor fraudes em cotas étnico-raciais – publicou dados da indígena Larissa de Sá (graduanda na UFMA), por “não parecia indígena”. Ora, tal identidade não se baseia apenas em fenótipos ou pelas roupas que os indivíduos vestem. Assim, percebe-se que mesmo justamente inseridos em uma rede educacional não indígena, essas pessoas são julgadas aos moldes românticos.

Depreende-se, portanto, que, sem as devidas ações das autoridades competentes, será inconcebível superar os desafios supracitados. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio da criação de concursos públicos específicos, decrete que as grades curriculares cumpridas nas escolas próximas às aldeias sejam criadas por pessoas indígenas, sobretudo (e preferencialmente) pertencentes àquela cultura. Isso deve ser feito com o fito de tornar a citação kantiana e o ensino indígena mais justos. Ademais, para mitigar os preconceitos, o Governo deve fiscalizar as escolas não indígenas, garantindo um estudo que valorize a diversidade cultural do país e, dessa maneira, a perpetuação da memória social da população canarinha.