Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Ao decorrer da primeira Geração Romântica/Indianista o índio foi caracterizado como um herói nacional no mundo literal opondo a realidade, compactuando com o mito do “Bom selvagem” e alimentando a idealização do indivíduo indígena. Hodiernamente, apesar da exaltação desses povos no século XIX, torna-se notório que essa ideia permaneceu apenas para criação de um sentimento nacionalista, uma vez que, não é exercida no meio social. Partindo disso, no meio estudantil populações indígenas carecem de materiais didáticos próprios e professores capacitados para atender suas necessidades, outro fator agravante é a questão do preconceito embutido na própria sociedade.

Em primeiro plano, vale ressaltar que muitas crianças e jovens autóctones acabam não conhecendo sua própria história e se submetem a aprender uma realidade que não vivenciam. Nesse sentido, o Censo Escolar de 2015, do Ministério da Educação, expôs que quase metade das escolas indígenas não possuem material didático específico para o grupo étnico, totalizando 46,5% dessas instituições. Analogamente, Joaquim Mana nasceu na aldeia Praia do Carapanã, no Acre, e atualmente trabalha na Secretaria de Educação do estado. O doutor afirma que alguns livros que chegam na aldeiam não dialogam com a vivencia dos povos, apresentando animais como girafas e elefantes que não pertencem a fauna brasileira. Com isso, é evidente a escassez de professores preparados para instruir nas tribos.

Cabe mencionar, em segundo plano que as populações indígenas são caracterizadas pelo ponto de vista dos livros adotados nas escolas, de acordo com um olhar europeu estereotipado. Nesse contexto, o antropólogo Everaldo Guimarães Rocha fez um estudo baseado nessa alegação comprovada pelos relatos presentes em “Caramuru”, no qual afirma que os nativos foram definidos como primitivos, selvagens e cruéis. Ademais, essa visão ainda permanece nos dias atuais por parte preconceituosa da população brasileira, que discrimina os nativos que adentram nas universidades, dificultando o convívio e a inclusão social desses indivíduos. Outrossim, estudantes autóctones são os que menos contam com apoio público para pagar a universidade, já que 63% deles não conseguem vagas gratuitas (g1).

Em vista dos argumentos apresentados, cabe ao