Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Em 1500, com a chegada de Pedro Álvares Cabral, houve o encontro de portugueses com os nativos da terra, os índios que, apesar de já ocuparem o futuro Brasil, foram taxados como selvagens inferiores. Essa situação repercutiu até a contemporaneidade, em que a figura indígena é uma minoria e enfrenta várias dificuldades, dentre elas o desafio da educação para sua população. Isso se dá, em grande parte, em decorrência da não especialização dos professores e da falta de estrutura para o ensino. Dessa forma, fica claro que para cumprir a Constituição federal de 1988 e oferecer educação para todos, são necessárias medidas urgentes.
Inicialmente, deve-se expor que a maioria dos professores não está capacitada para lecionar à população indígena. Para a tristeza de Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, o tupi e nenhuma língua indígena são falados hoje pela maior parte dos brasileiros, tampouco são ensinados no ensino superior de letras. Assim, é difícil conseguir um profissional qualificado para possibilitar o aprendizado aos índios, restando apenas os indivíduos que saíram e se formaram, os quais representam cerca de 95% dos professores, de acordo com o Ministério da Educação (MEC).
Ademais, outro fator que deve ser levado em consideração é a falta de estrutura dos ambientes de ensino. Seja em função do difícil acesso às aldeias ou do descaso dos governantes, a realidade é que falta infraestrutura para ensinar a população indígena. Dessa forma, são raros os casos de índios que ascenderam, visto que a educação — fator primordial para o desenvolvimento intelectual e social — lhes é negada. Dessa forma, dificilmente conseguem vagas em cursos gratuitos ou são selecionados pelo Fies ou pelo Prouni, chegando a menos de 40% dos indígenas, segundo o Censo 2016.
Evidencia-se, portanto, que a educação indígena é extremamente necessária. E para possibilitá-la à minoria referida, cabe ao Estado incentivar a ida de professores para as aldeias mais afastadas, por meio de aumentos salariais, e qualificar esses, por intermédio do ensino da língua indígena da região. Outra medida necessária é a fiscalização, por parte do MEC, dos munincípios e estados, para garantir que o necessário para o ensino está sendo disponibilizado às aldeias. Assim, o Brasil terá mais indivíduos formados e os índigenas terão seus direitos constitucionais assegurados.