Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 17/09/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne aos desafios para a educação da população indígena no Brasil, percebe-se a configuração de um quadro entrópico, em virtude do caos presente na situação. Dessa forma, em razão da falta de debate e de uma lacuna educacional, emerge uma questão complexa, que precisa ser revertida.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente no problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, conforme dados do Censo 2016, 63% dos indígenas não conseguiram apoio de programas sociais para custear faculdade privada, número preocupante, que mostra o tamanho do desafio enfrentado. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre o preconceito linguístico em território nacional, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre tal mazela social, tornando sua resolução mais dificultada.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a insuficiência legislativa. Nesse sentido, o filósofo John Locke defende que: “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis.” Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. Todavia, na questão da educação da população indígena no Brasil, a legislação não tem sido suficiente para a resolução do problema, visto que, apesar de estar previsto na Constituição de 1988 que os povos indígenas tem direito à educação escolar específica, intercultural, comunitária, bilíngue/multilíngue e diferenciada, essas garantias vêm sendo negligenciadas, uma vez que esses povos enfrentam diversos empecilhos no acesso ao ensino.
Fica claro, portanto, que a educação da população indígena no país é permeada de desafios e uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de professores, antropólogos e membros de diferentes povos indígenas. Ademais, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância de oferecer ensino adequado aos povos indígenas no país e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, com o caos entrópico contido na situação diminuindo, poderá se consolidar um Brasil melhor.