Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 31/08/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, este poema do grande escritor Carlos Drummond de Andrade assemelha-se, de maneira análoga, ao cenário brasileiro atual, visto que os desafios para a formação educacional dos indígenas ainda são “pedras” para o progresso do país. Tais desafios estão relacionados tanto preconceito estabelecido sobre os indígenas quanto a falta carência de políticas públicas para uma educação inclusiva.

Em primeiro lugar, segundo Albert Einstein “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”, dentro deste viés, observa-se que durante a colonização do Brasil os nativos foram tratados como pessoas “selvagens”, pela visão etnocêntrica dos colonizadores. Até hoje os resquícios desta perspectiva são presentes na sociedade e interferem diretamente na vida desses povos, já que por vezes são esquecidos pelo corpo social. Esta exclusão é facilmente verificada no contexto educacional, pois os povos nativos ainda enfrentam dificuldades em ingressar no ensino básico e superior. A fim de amenizar esta exclusão, em 2012 foi criada a Lei de Cotas, que obriga as universidades a reservarem vagas para índios que estudam na rede pública, porém, esta medida ainda é insuficiente para uma educação igualitário no Brasil.

Ademais, a Constituição Federal de 1988 prevê um ensino diferenciado e multilíngue para indígenas, no entanto na prática isto ainda é um desafio, visto que existe uma escassez de educadores capacitados para lecionar este tipo de ensino e de infraestrutura para a o ensino a estes povos tradicionais. Além disso, por a maioria dos professores e escolas encontram-se localizados em centros urbanos, limitando os acessos dos indígenas que muitas vezes localizam-se afastados dessas áreas. Resultado disso são os números da pesquisa do Censo de Educação Superior divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) que aponta que apenas aproximadamente 49.000 indígenas se matricularam no ensino superior em 2016 dos quase 900 mil presentes no Brasil no mesmo ano.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar a situação atual. A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) poderia realizar exposições e palestras nas escolas com a presença de índios e elementos da cultura nativa para os estudantes conhecer mais sobre esta etnia para transpor o preconceito através da informação. O MEC pode incentivar cursos de capacitação de professores e pedagogos para educação diferenciada voltada para os índios através de especialistas neste eixo de ensino. Dessa maneira, os impasses para a formação de indígenas no Brasil deixará de ser uma “pedra” no caminho para uma sociedade igualitária.