Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 06/09/2020

A obra Ubirajara, do autor José de Alencar, expressa o vislumbre indígena como heróis nacionais durante a primeira geração romântica. Todavia, tal valorização não encontra-se reconhecida em tempos hodiernos, visto a alta exclusão desse grupo na sociedade. Nesse sentido, a inacessibilidade de ensino cunha-se o principal mutilador da cidadania dos ancestrais, ao passo que inviabiliza a etimologia da palavra “educar”: Conduzir a um patamar superior. Dessa maneira, seja pela baixa disponibilidade de centros acadêmicos em aldeias ou pela inércia governamental, a instrução nativa carece de cuidados.

Previamente, é necessário salientar a partilha desigual da antiga ilha de Vera Cruz e suas consequências. A medida em que o Tratado de Tordesilhas dividiu as áreas brasileiras entre os colonizadores, sem atentar-se aos interesses dos índios, o acesso territorial dessa minoria foi deteriorado. Assim, não só o direito a moradia, mas também a propagação de cultura e uma rotina calma, necessários para uma boa educação, são inviabilizados até os dias atuais. Desse modo, o deficit instrucional indígena nada mais é do que a replicação da antiga injustiça, que necessita ser alterada.

Ademais, a desassistência do poder executivo contribui para o pobre índice de nativos graduados. Embora algumas regiões demarcadas possuam professores e centros acadêmicos reconhecidos, o ritmo de lecionamento e a relevância entre conhecimentos são divergentes para cada etnia, o que gera uma maior dificuldade em provas como o Exame Nacional do Ensino Médio. Entretanto, para reconhecer novamente o valor indianista, como no Romantismo, é necessário acolher as diferenças e possibilitar equidade de recursos. De acordo com o educador Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda. Logo, facilitar a entrada desse grupo nas escolas superiores é imperioso para possibilitar a almejada cidadania universal.

Portanto, ações são necessárias para incluir os índios na sociedade brasileira. Dessa forma, a realização de levantamentos sobre a qualidade de vida e preferências metodológicas de ensino, por meio de visitas mensais de assistentes sociais do Ministério da Cidadania as tribos, fazendo uso do Fundo Nacional de Cidadania para possíveis custeios, é essencial a fim de aumentar o número de salas de aula e oferecer internet para ensino remoto aos grupos interessados. Além disso, o poder executivo federal, por intermédio de uma ementa legislativa, deve aumentar o número de vagas reservadas aos indígenas nas universidades públicas e institutos federais, principalmente situados no Norte e Centro-Oeste do país (Regiões com maior número de populações nativas), no intuito de estabelecer condições mais coesas de ensino aos estudantes. Apenas assim teremos os ideais de Paulo Freire e da primeira geração romãntica seguidos na sociedade.