Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 02/12/2020

A chegada dos portugueses ao Brasil marcou o início do genocídio indígena. Desde então, convencionou-se o termo “dívida histórica”, o qual busca comprometer Estados na reparação de desigualdades do presente, fruto de um passado opressor. Neste sentido, a educação ameríndia deve ser compreendida como um meio fundamental a tal reparação.

Precipuamente, devem ser compreendidas as peculiaridades da educação nativa. Com base nisso, um exemplo esclarecedor (e que ignora tal fato) é a padronização nacional dos custos per capita e por estudante - referência na alocação de recursos da União às secretarias de educação brasileiras. Em outras palavras, escolas dos Kubeo em plena Amazônia recebem a mesma proporção de investimentos educacionais de municípios de menores custos logísticos e de bens e serviços. Logo, uma caneta ou um professor que precise atravessar o Rio Solimões demanda um tempo e dinheiro não compensados. Finalmente, um país que ignore tais particularidades está fadado a cometer as mesmas injustiças do passado - o Brasil não é homogêneo, mas pode unir seus povos.

Outrossim, tal ignorância alija a nação de integrar, pelo princípio de que todos são cidadãos, indígenas e não indígenas. Vale ressaltar que a integração descrita não deve ser elaborada nos moldes ditatoriais. Ao contrário, os saberes de tapajós podem ser trocados com aqueles do resto da sociedade sem nenhum tipo de hierarquização. Em perspectiva, a cultura é dinâmica e exige, em riqueza, tal pluralidade. Assim, ao mesmo tempo em que originários precisam aprender o Português, em uma educação multilíngue, o ensino da própria língua é mandatório. Ademais, a alocação de universidades em cidades permite aos nativos integrações regional e internacional. Portanto, o assegurar da educação indígena é cerne de uma integração respeitosa - pagamento da dívida histórica.

Em suma, as práticas de ensino originárias não podem ser comparadas ao resto do ensino nacional - é, ainda, um meio de reparação das injustiças pretéritas. Obviamente, os governantes devem fornecer mais recursos às escolas tribais por meio de um melhor planejamento orçamentário, como após consulta a especialistas, para que o Brasil integre, mas respeite, a cultura de um povo obliterado.