Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 22/11/2020

No Romantismo, construiu-se em torno da figura do índio o sentimento de nacionalismo e brasilidade, ao atribuir-lhe a alcunha de herói nacional. Porém, em pleno século XXI, as comunidades indígenas  brasileiras enfrentam graves desafios, os quais as privam da plena isonomia em relação as demais esferas sociais. Nessa esteira, observa-se que essa minoria tem tido o seu direito à educação negligenciado, o que tende a acarretar graves problemas para estes. Portanto, faz-se mister a dissolução desse impasse a fim de se garantir a inclusão educacional do nativo brasileiro.

Primeiramente, é imperioso destacar que a problemática tem como causa a desvalorização estrutural da cultura indígena, responsável pela exclusão destes do jogo estudantil. Isso se comprova por meio da obra “O Guarani”. Nela, o protagonista “Peri” é um indígena cristão, monogâmico e aculturado, o qual abandona a sua aldeia para viver ao lado de uma família portuguesa. Desse modo, vê-se que os nativos, desde o século XIX, não são representados por aquilo que realmente são, mas sim, por uma visão romântica e eurocêntrica de mundo, o que potencializa a descriminação em torno dessas minorias e, com isso, reforça o estereótipo de que estes são apenas selvagens e que não precisam de uma educação padrão, bem como o restante da população brasileira.

Além disso, as constantes lutas em torno dos territórios tradicionalmente ocupados por essas comunidades também se configura como um empecilho ao direito educacional do índio. Isso fica claro ao se analisar a disputa de terras envolvendo a reserva “Raposa do Sol”, em Roraima, em que latifundiários, grileiros e empresas mineradoras dizimaram centenas de índios em busca de angariar novas áreas territoriais para seus empreendimentos privados. Ora, sendo assim, não há como se dedicar aos estudos em um clima de guerra, onde apenas o medo e o instinto de sobrevivência atuam, afastando cada vez mais estes povos da inclusão ao meio educativo.

Destarte, para que os povos nativos desfrutem do seu pleno direito à educação, é fundamental que eles não sejam uma mera distorção da literatura desprovidas de suas terras. Por isso, é mister que o Estado intervenha nessa nociva conjuntura. Nesse aspecto, o Governo Federal, em parceria com a Funai, deve, por meio de verbas governamentais, desenvolver projetos literários, para serem distribuídos nas aldeias e nas redes escolares comuns, através de obras escritas e audiovisuais sobre costumes, leis e divindades dessas comunidades. O objetivo desse projeto é  padronizar o ensino e, assim, erradicar a desvalorização cultural  indígena - responsável pelar exclusão destes do meio acadêmico. Ademais, a Policia Federal deve realizar ações fiscalizatórias, constantemente, nas divisas de terras nativas, a fim de acabar com os confrontos existentes e apaziguar as tensões.