Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 09/12/2020

A teoria contratualista  de Rousseau metaforiza a concessão das liberdades humanas ao Estado, o qual, em troca, seria responsável pela garantia dos direitos aos cidadãos. Apesar de ideológico, tal contrato perde a reciprocidade quando o direito básico da educação não é oferecido adequadamente  à população indígena. Nessa conjectura, esse fator desencadeia-se, seja pela negligência governamental ou pelo preconceito da população. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa realidade.

Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o investimento Governamental, no que tange à criação de políticas públicas que garantam uma educação de qualidade aos indígenas, é exíguo. Segundo um artigo publicado na revista ‘‘Estudos Nacionais’’, em 2019, cerca de 30% da verba que deveria ser destinada a setores específicos é transferida para áreas de menor importância econômica. Destarte, o capital que deveria ser direcionada para a qualificação da educação dos aborígenes brasileiros acaba sendo investido em situações de relevância menor, comprometendo, por conseguinte, a inserção de tais indivíduos no mercado de trabalho. Parafraseando Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente transformá-las. Em contrapartida, percebe-se a indigência do Governo em engendrar oportunidades que viabilizem uma mudança.

Faz-se mister ressaltar, ainda, que há um preconceito enraizado desde o período colonial, em que a supremacia branca vigora e comanda as atividades econômicas. Sob tal ótica, há uma supervalorização dos costumes e da cultura europeia, o que contribui para a inferiorização das manifestações culturais dos povos aborígenes. Diante dessa perspectiva, os indígenas preferem não frequentar ambientes escolares, uma vez que poderão sofrer um forte preconceito estrutural. Consoante a Albert Einstein, é mais fácil desmistificar um átomo do que o preconceito. Dessa forma, esse pensamento é evidenciado nos dias hodiernos, posto que os indivíduos preferem valorizar mais a cor da pele do que a essência humana. Logo, enquanto medidas não forem inseridas, nunca se atingirá o progresso.

Diante do pensamento de Oscar Wilde, a não aceitação da realidade é o primeiro passo para a evolução de uma nação. Portanto, urge que o Poder Público insira medidas voltadas para a integração dos indígenas em ambiente escolar e promova o devido respeito para esses povos, por meio da criação de núcleos educacionais nas aldeias, que contem com professores qualificados e ensino técnico eficiente. Inclusive, contendo as mais novas tecnologias de comunicação, incentivando os indígenas a buscarem conhecimento, com o  fito de democratizar o direito constitucional da educação  e garantir uma maior valorização da população indígena. Assim, a teoria contratualista atingirá a reciprocidade.