Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 17/12/2020
Durante o período do Brasil Colônia, compreendido entre os séculos XVI e XIX, os padres portugueses da ordem Jesuíta, ficaram incumbidos de educar os nativos brasileiros nos moldes culturais lusitanos, irreconhecendo a relevância da cultura indigena para o índio. Nesse contexto, nota-se contemporaneamente a necessidade da inserção da cultura autóctone às universidades brasileiras. Tal fato se justifica não apenas para aumentar a participação indígena no ensino superior mas também por uma reparação cultural da sua população.
A princípio, é preciso elucidar que os povos indígenas, reconhecidos legalmente como cidadãos brasileiros, têm o direito de estudar no ensino superior como qualquer outro cidadão da nação. Segundo o Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), o censo de 2016 revelou que entre o alunos indígenas que tentaram bolsas universitárias via Prouni e Fies, apenas quatro entre dez candidatos obtiveram sucesso. Logo, pode-se concluir que a participação do povo aborígene do Brasil nas universidades está à margem da percentagem ideal, fato que priva essa parcela social do seu desenvolvimento educacional, o que por sinal pode levar a uma segregação acadêmica, visto o distaciamento científico e cultural da população indígena em relação à urbana.
Outrossim, a inclusão do índio na educação superior criará maiores possibilidades de valorização de sua cultura, a qual foi reprimida durantes séculos pelos portugueses. De acordo com Paulo Freire, filósofo e pedagogo, a educação deve ter caráter libertador, para que assim não exista oprimidos e opressores. Nessa lógica, percebe-se que a inserção universitária do indígena remete a manifestações de sua cultura no meio acadêmico, o qual é dotado de ferramentas difusoras de ideias, como artigos científicos e projetos de extensão, capazes de disseminar e valorizar a cultura dos nativos brasileiros.
Desse modo, torna-se essencial criar medidas que garantam ao indivíduo indígena a completa formação educacional. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação, por meio da capacitação e especialização de professores da rede educacional básica indígena, equipare o nível de conhecimento escolar dessa parcela social com o restante da sociedade, para que assim os índios concorram de forma igualitária com todos concorrentes em programas de bolsas como Prouni e Fies. Ademais, as Reitorias das universidades brasileiras, por meio de palestras e congressos, devem incetivar a manifestação da cultura indígena no meio acadêmico, de modo a minimizar a segregação educacional a que os índios são expostos. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que todo cidadão brasileiro, inclusive o índio, tem direito ao reconhecimento estudantil e cultural.