Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Na novela “Novo Mundo”, o personagem Piatã apenas teve acesso ao ensino formal quando saiu da aldeia. De fato, casos como o dele não se limitam a cenários fictícios e refletem como o acesso às escolas não é realidade para todos os cidadãos. Nesse sentido, debater acerca dos desafios para a educação da população indígena é pertinente ao contexto brasileiro. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que a segregação educacional desse povo possui raízes históricas no Brasil e é de responsabilidade do Estado reparar esse erro.
Deve-se pontuar, antes de tudo, que a Igreja católica, com os jesuítas, responsabilizam-se pelo ensino do povo indígena durante o período colonial, porém essa ação tinha o objetivo principal buscar novos adeptos à religião. Nessa lógica, é válido afirmar que desde o princípio o Estado se isentou em dar uma educação formal a essa população e ela ficou subordinada a um projeto repressor que visava desfigurar sua cultura. Segundo o sociólogo Anthony Giddens, a escola é essencial para transmitir conhecimentos científicos, ampliar o senso crítico e a visão de mundo dos cidadãos. Logo, presume-se que manter os nativos fora desse ambiente foi primordial para a Igreja realizar o seu objetivo de catequese, sendo esse atraso educacional o principal desafio para a formação escolar deles.
Ademais, por causa dos motivos apontados pelo sociólogo, o Estado deve agir de maneira eficaz para levar os colégios às aldeias. Dentre esses efeitos, em 2015, o país se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas, nos quais uma das metas é promover educação universal de qualidade. Por certo, é vital reparar o histórico de segregação educacional dos indígenas para cumprir esse acordo internacional. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esse problema conjuntural e seus efeitos.
Torna-se evidente, portanto, que casos como o do Piatã não podem continuar a ser reflexo da sociedade brasileira. Assim, é necessário que o Ministério da Educação, com ações da união dos poderes executivos, leve escolas às aldeias, por meio da criação de um projeto voltado à fornecer a universalidade de ensino, a fim de fornecer aos indígenas brasileiros equiparação de aprendizagem formal com os demais cidadãos. Além disso, esse projeto deve levar os nativos aos colégios distantes, por intermédio da compra de transportes coletivos, com o intuito de o local no qual eles moram não seja um desafio para gantir a educação deles. Enfim, a partir dessas ações, o Estado irá reparar um grande erro da sua história.