Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 06/01/2021

O poeta Carlos Drummond metaforizou em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de que, durante a vida, os indivíduos encontrarão empecilhos a serem superados. Sob tal ângulo, percebe-se que os diversos desafios para uma educação de qualidade para a população indígena configura-se como um obstáculo para os povos nativos brasileiros. Nesse sentido, cabe avaliar que esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa e da falta de visibilidade do assunto.

Em primeiro lugar, convém mencionar a ineficácia estatal referente ao tema. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado por Washington Luís, norteia a negligência dos órgãos públicos, em grande parte, com assuntos de aspectos sociais, como é o caso do insuficiente acesso a educação pelo povo indígena brasileiro e também da falta de interesse do governo em resolver esse problema. A título de exemplificação, nota-se que a falta de investimentos em escolas e em tutores capacitados para a instrução de indígenas, faz com que muitas crianças e jovens cresçam sem o devido direito ao acesso a educação que é previsto na Constituição Federal. Tal descaso contribui também para a diminuição de indígenas e descendentes nas universidades do país, já que, segundo o G1.com, ainda é muito baixo o número de indígenas que frequentam cursos superiores ou técnicos nas instituições brasileiras.

Ademais, é válido salientar a falta de visibilidade do assunto. Consoante á ideia do linguista Noam Chomsky, os veículos de comunicação possuem a capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como os referentes desafios para a educação dos indígenas. Dessa forma, é evidente que a problemática do precário ensino que é oferecido para os povos nativos, uma vez que não abordada pela imprensa, torna-se um assunto pouco discutido no corpo social. Desse modo, o não protagonismo da temática em questão, a qual deve ser abordada com relevância pelos meios de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como o acesso deficiente a educação básica, o preconceito com os índios e também o difícil acesso a educação superior, tornam-se esquecidos das prioridades a serem solucionadas no país.

Portanto, o problema mostra-se uma “pedra” a ser removida para o desenvolvimento do Brasil. Destarte, cabe ao Ministério da Educação - responsável pelas políticas de ensino no país -, por meio de mais verbas destinadas totalmente a educação desses povos, disponibilizar gestores, professores e assistentes socias, para indentificar os principais problemas para o acesso correto a educação para a população indígena e então realizar uma política de intervenção e restruturação do ensino visando melhorar o imbróglio. Outrossim, a mídia, mediante reportagens e notícias, deve exibir os problemas na educação dos indígenas em rádios, televisão e internet. Logo, a população ficará informada da questão.