Desafios para a educação da população indígena no Brasil

Enviada em 24/08/2021

“Se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Essa frase do educador Paulo Freire pode ser relacionada com os desafios para a educação da população indígena no Brasil, já que os nativos enfrentam as consequências da desigualdade educacional. Sendo assim, infere-se que essa problemática é sustentada pelo abandono das escolas localizadas nas aldeias e pela ausência de indígenas nas universidades. Logo, essa celeuma urge ser solucionada.

Em primeiro plano, é pontuado que o tratamento secundário dado às instituições de ensino das comunidades indígenas é um fator primordial. Então, a falta de novas propostas educativas que levem em consideração certas particularidades do povo, como o calendário indígena, faz com que a qualidade de ensino não se equipare com as das instituições dos grandes centros urbanos. Além disso, é notório que os professores não recebem qualificação adequada, sendo que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos docentes não possuem especialização na área da educação em questão. Dessa forma, os alunos da aldeia encontram mais um obstáculo para sua formação.

Outrossim, é imperativo analisar que, em decorrência dos fatos citados, os estudantes indígenas são minoria nas universidades brasileiras. Assim, um dos principais desafios é a inserção desses jovens no ensino superior, visto que, de acordo com o censo de 2016, apenas 49 mil indígenas se matricularam em uma faculdade. Essa situação é o retrato da ausência de políticas de nivelamento efetivas, que proporcionem a essa comunidade tradicional a qualificação profissional. Ademais, o preconceito, desenvolvido pela visão europeia sobre esses povos, faz com que muitos desistam de sua formação, sendo esse o principal motivo de evasão universitária, de acordo com o Ministério da Educação.

Em suma, medidas são necessárias para minimizar os desafios da educação da população indígena no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação, em parceria com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), deve melhorar a infraestrutura das escolas em questão. Isso será feito por meio do investimento na formação acordante dos professores e na reformulação da grade curricular, visando garantir maior qualidade de ensino e equilibrar o ensino da comunidade e o da escola. Em paralelo, deverá ocorrer aumento no número de vagas destinadas aos nativos e as universidades devem desenvolver um órgão de apoio a esses estudantes, a fim de evitar a evasão. Dessa maneira, a educação brasileira será um bem disponível a todos.