Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 31/08/2021
Consoante às concepções do sociólogo Michel Foucault, em sua obra Corpo e Poder, há uma disciplinarização dos comportamentos que se traduz na exclusão de corpos desviantes. Nesse sentido, é notório como os desafios para a educação da população indígena no Brasil possui similiaridade com essa teoria, uma vez que os indígenas compõe uma minoria no país. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Educação se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que democratizam o acesso ao ensino. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela concentração de escolas em áreas mais urbanizadas. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia os índios a uma realidade de segregação social, educacional, cultural e espacial.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante os dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram o distanciamento do índio da sociedade, o que gerou frutos como a escassez de visibilidade dada à população indígena. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, a voz dos indígenas será banalizada e a ruptura do seu direito educacional, perpetuada.
Dessarte, fica claro que a inoperância estatal, aliada à ignorância social, é a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Educação, visto seu importante papel no ensino dentro do território brasileiro, deve, por meio de tributos estatais, construir escolas em áreas periféricas e fornecer transporte escolar entre as aldeias e essas escolas, a fim de possibilitar que a população indígena tenha seu direito educacional cumprido e, consequentemente, que não haja mais segregação socioespacial entre eles e a sociedade. Outrossim, cabe a mídia dar voz às minorias e garantir a democracia. Espera-se, com isso, que não haja mais a exclusão do corpo indígena.