Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 14/10/2021
O livro “Correndo Descalça”, da escritora Amy Harmon, conta a história de Samuel, um descendente navajo, o qual sofre preconceito por ser parte indigena, desde cedo ele batalha para estudar e conseguir entrar no exército. Fora da ficção, a população indigena enfrenta vários desafios para terem acesso à educação como qualquer outro cidadão. Ao refletir a respeito dos desafios para a educação da população indígena, no século XXI, a problemática ocorre em virtude de dois fenômenos: ensino que não se adequa a essa cultura, acompanhada pela falta de incentivo para levar ensino a essas pessoas. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.
A princípio, torna-se possível perceber que o Brasil embora na sua história cultural a participação indigena seja extremamente importante isso não se reflete no ensino das salas de aulas. Diante disso, de acordo com o documentário “Ex-paje”, o qual revela como ocorreu no decorrer das décadas o extermínio da cultura de seus povos, uma vez que não há incentivo do governo em transmitir para outras pessoas as riquezas e diversidades étnicas presentes no país. Analogamente, povos como mostra o documentário fazem parte da construção da identidade do Brasil, porém conforme o tempo essas histórias foram se perdendo e principalmente sendo substituídas por outras, com uma visão etnocêntrica, isto é considerado pior pelos olhos dos outros.
Desse modo, segundo o Censo de 2016, estudantes indígenas são os que menos contam com apoio público para pagar cursos universitários, em programas como Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) e Sisu (Sistema de Seleção Unificada). À vista disso, há dificuldade no acesso a informações sobre programas universitários para a população indigena, além da dificuldade em irem à escola. Seguindo essa linha de pensamento, ocorre um distanciamento dessa parte da população com o restante, em sua maioria pelo preconceito com o diferente, isso é notório no livro “Correndo Descalça” citado anteriormente, pois Samuel sofreu diversos apelidos e até agressões por apenas ir a escola, em um ensino que não inclui todas as etnias do país.
Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação (MEC) em conjunto com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para a elaboração de aulas temáticas de ensino sobre a cultura indigena e as diversas etnias dentro da grade curricular para todas as idades. Portanto, de modo que todos possam aprender e aceitar o diferente, com a finalidade de que a população indigena não enfrente problemas para sua educação, assim todos possam ter acesso ao seu direito, de forma que o tecido social desprenda-se de certos tabus e não caminhe para um futuro degradante.