Desafios para a educação da população indígena no Brasil
Enviada em 20/10/2021
“Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas”. Foi com esse trecho que, em sua carta, o colonizador português Pero Vaz de Caminha descreve o índio brasileiro na colonização do território brasileiro. Desse modo, é evidenciada a austera diferença da cultura indígena, que, hodiernamente, se manifesta com diversos problemas, destacando, principalmente, os desafios para a educação desses no Brasil. Nesse sentido, é importante ressaltar os prevalecentes muros que abrangem essas complicações: o descaso governamental e a complexa formação docente.
Destaca-se, em princício, o descuido estatal com o ensino público, do qual os indíos dependem para sua educação, já que o ensino particular torna-se utópico para esses - devido ao alto custo. Consoante à isso, nos direitos listados na Constituição Federal, está elencada a educação - direto de todos e dever do estado - que, embora seja uma norma programática, não recebe grande atenção quando voltada ao povo indígena. Ademais, mesmo que a popularmente conhecida “Lei de Cotas” auxilie à inscrição desse povo no ensino superior, segundo uma pesquisa do G1, dos aproximados 8 milhões de universitários, menos de 70 mil são indígenas - estatística extremamente preocupante.
Ressalta-se, ademais, a conspícua dificuldade encontrada na formação de profissionais para essa educação. Nesse sentido, no século XVI e XVII quando padres jesuítas buscaram alfabetizar os nativos do território brasileiro, tiveram, primeiro, de aprender o “tupi-guarani”, para, assim, ter melhor contato e ensino. De mesmo modo, nos dias atuais é exigido pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), para o ensino dos indígenas, alguns aprendizados de complexo acesso, como o bilinguísmo e a interculturação. Destarte, embora colabore substancialmente para conservar essa cultura, pelo descaso estatal em ampliar o acesso a esse conhecimento isso tem colaborado com a falta de docentes.
Torna-se evidente, portanto, que o descano governamental e a falta de oportunidade para capacitação de docentes são fatores que agravam os desafios na educação indígena. Sendo assim, é imprescindível que as ONGs e a sociedade tenham exigências mais severas aos ministérios, sobretudo os da educação e da infraestrutura, tanto pela necessidade de melhoria das escolas, como pela expansão dessas. Ademais, o setor público poderá proporcionar aos estudantes e profissionais cursos adicionais, onlines e presenciais, inclusive com a participação de nativos, visando o melhor entendimento da cultura e da língua, e combatendo, dessa forma, os desafios para a educação da população indígena no Brasil.