Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 13/07/2026
Em seu livro “A Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire destaca a importância de uma educação pautada nas vivências e particularidades dos estudantes. Ao contrá-rio do que é pregado pelo educador, no Brasil, vê-se a universalização da metodo-logia escolar, e, devido a isso, necessita-se debater os desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas do país. Dessa forma, tem-se dois pontos a serem solucionados: a exclusão social e a ausência de reconhecimen-to do transtorno.
Sob essa ótica, é inegável que a invisibilidade no ambiente escolar desses indiví-duos neuroatípicos contribui para a permanência do imbróglio. Nesse sentido, se-gundo o geógrafo Milton Santos, a sociedade relega minorias ao esquecimento. Nesse caso, tal exclusão é feita através da falta de profissionais especializados e in-dividualizados para esses alunos, além da aplicação das mesmas metodologias uti-lizadas para aqueles desprovidos de tais transtornos. Por conseguinte, não há es-paço de crescimento profissional e aprendizagem para os estudantes diagnostica-dos, o que acarreta em mais dificuldades ao ingressar no mercado de trabalho.
Ademais, o menosprezo em relação aos transtornos neurológicos mostra-se co-mo agente da conjuntura. Nesse contexto, essas doenças são visivelmente indetec-táveis e, por isso, há a percepção social de que são questões de baixa gravidade, as quais trazem prejuízo mínimo ou nenhum ao aluno. Dessa maneira, é comum lidar com esses sujeitos igualitariamente tendo em vista aqueles neuroconvergentes, a-ção que contribui para a permanência da subversão educacional das pessoas neu-rodivergentes. Essa realidade pode ser conferida na obra “As Vantagens de Invisí-vel”, em que o protagonista, Charlie, está no espectro autista e tem complicações acadêmicas e sociais devido à falta de acessibilidade na escola.
Portanto, urge solucionar tais problemáticas. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, órgão capaz de ampliar o bem-estar físico e mental para a sociedade, em conjunto com o Ministério da Educação, elaborar novos parâmetros avaliativos e metodoló-gicos para o ensino de pessoas neuroatípicas, por meio de adaptação da Base Na-cional Comum Curricular nos moldes de aprendizagem para sujeitos neurologica-mente atípicos. Tudo isso, a fim de garantir equidade educacional ao corpo social.