Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 13/10/2026
O geógrafo brasileiro Milton Santos, ao analisar as desigualdades sociais, evidenci-
a que o acesso a oportunidades não ocorre de maneira igualatária. Nesse sentido, sua reflexão torna-se pertinente à realidade brasileira, visto que estudantes com transtornos neurológicos enfrentam obstáculos para ter acesso a uma educação in-
clusiva e de qualidade. Desse modo, convém ressaltar que o preconceito social e o despreparo das instituições de ensino configuram-se como fatores responsáveis pela persistência desse problema no país.
Em primeiro plano, o preconceito social constitui um dos principais obstáculos à educação inclusiva. Nessa perspectiva, a série Atypical, de 2017, retrata a trajetória de Sam, um adolescente autista que enfrenta desafios nas relações sociais. Nesse contexto, percebe-se que a falta de compreensão acerca das particularidades des-
ses indivíduos favorece a discriminação e o isolamento no ambiente escolar, preju-
dicando sua participação nas atividades e seu desenvolvimento educacional. Assim, o preconceito contribui para a exclusão desses estudantes e dificulta sua plena in-
tegração à comunidade escolar.
Além disso, vale ressaltar que o despreparo das instituições de ensino também di-
ficulta a educação de pessoas com transtornos neurológicos. A esse respeito, o fil-
me “Como Estrelas na Terra”, de 2007, retrata Ishaan, um menino com dislexia cu-
jas dificuldades de aprendizagem são inicialmente interpretadas como desinteres-
se e indisciplina. De maneira semelhante, a falta de capacitação dos profissionais da educação pode impedir o reconhecimento das necessidades específicas desses estudantes e a adoção de estratégias pedagógicas adequadas. Dessa forma, a au-
sência de suporte individualizado compromete a aprendizagem e amplia as desi-
gualdades educacionias.
Conclui-se, então, que é necessário garantir uma educação inclusiva no Brasil. Pa-
ra isso, o Ministério da Educação, responsável pela coordenação das políticas edu-
cacionais, deve capacitar os professores, por meio de cursos sobre transtornos neurológicos, a fim de adequar o ensino às necessidades desses estudantes. Ade-
mais, as escolas devem promover campanhas de conscientização para combater o preconceito.