Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 17/08/2022
O curandeiro Asclépio na Mitologia Grega era conhecido pelo seu dom de ressucitar os mortos e curar enfermos. Por causa de seus feitos, Asclépio foi morto por Zeus por tentar subverter a ordem da vida humana, ocultando seus dons de cura da humanidade. Analogamente ao mito, no Brasil atual a precarização da capacitação educadores na instrução de discentes neurodivergentes relaciona-se ao descaso de uma ordem superior: a necessidade de atendimento individualizado nas escolas exige uma uma estrutura de apoio sofisticada dos órgãos estudantis que, na posse de políticas ineficazes, inibem os anseios do corpo docente.
Diante desse cenário, cabe ressaltar que a ausência de métodos didáticos próprios para o ensino de neuroatípicos representa um sério desafio para o nivelamento do corpo estudantil. De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire “a inclusão ocorre quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”. Consonante ao professor Freire, é válido afirmar que a instrução de alunos neurodivergentes exige estratétegias de ensino diversificadas, visto que uma educação padronizada exclui os que não se adequam à norma. Nesse sentido, é papel do educador à frente do processo de inclusão, adotar táticas distintas de ensino.
Ademais, a capacitação de docentes carece do amparo dos órgãos públicos. De modo semelhante a Asclépio no mito grego, os “dons” de ensino são constantemente frustrados pela defasagem do governo em relação às práticas educativas. Tal quadro configura uma violação direta ao Artigo 205 da Constituição Federal, que consta como um direito comum a educação promovida pelo Estado. Em vista disso, o caráter desigual de ensino se mantém, sobretudo, no que diz respeito às pessoas com transtornos neurológicos.
Portanto, urge que o Ministério da Educação em concomitância com a disposição financeira do Governo Federal, promova o aperfeiçoamento de educadores no âmbito psicossocial através de palestras capacitantes nas escolas realizadas por profissionais da psique humana. Isso deve ocorrer a fim de atenuar as disparidades de ensino na camada neurodivergente do corpo estudantil. Dessa forma, o direito à educação previsto na Constituição Federal será cumprido.