Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 20/08/2022

A data 18 de junho marca o Dia Mundial do Orgulho, que tem por finalidade valorizar a neurodiversidade. Entretanto, apesar das tentativas de inserir esse público na sociedade, as pessoas portadoras de autismo e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), passam por inúmeras dificuldades no dia a dia, inclusive, no âmbito escolar. Diante disso, é preciso reverter esse cenário, o qual é motivado pelo silenciamento de discursos e insuficiência estatal.

Em primeira análise, é importante ressaltar a negligência de debates acerca dos transtornos neurológicos, o que atrasa a efetivação de tratamentos e projetos dentro das instituições escolares. Em vista disso, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria do “Silenciamento de discursos”, alguns temas são omitidos da sociedade, a fim de ocultar as mazelas sociais. Sob esse viés, a visão do autor pode ser aplicada à sociedade brasileira, a qual não promove ações para discutir a respeito da aceitação e do acolhimento que os portadores de transtornos precisam.

Além disso, o Estado está ficando cada vez mais obsoleto, revelando, dessa forma, a incompetência de agentes governamentais quanto ao desenvolvimento de políticas públicas para o melhor acolhimento dos portadores de autismo e TDAH nas escolas. Sob essa ótica, o filósofo Zygmunt Bauman criou a expressão “Instituições zumbis”, a qual diz respeito ao fato de que algumas instituições, como o Estado, estão perdendo a sua função social. Dessa maneira, tal perspectiva se aplica nas escolas brasileiras, já que o poder público, ao não propor medidas para amparar esses alunos, compromete com o bem-estar da população.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo - responsável pelo bem-estar social - invista em projetos que visem melhorar o desempenho acadêmico desses alunos, por meio de leis que garantam o acompanhamento específico aos estudantes com transtornos, a fim de construir uma sociedade mais igualitária.