Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 19/08/2022
A série ‘’atypical’’ da plataforma Netflix, há um personagem chamado Sam, ele é diagnosticado com espectro do autismo, em sua vida cotidiana, Sam sofre diversos ataques de bullying e descriminação na escola. O menino, então, enfrenta suas mais diversas dificuldades para se encaixar nos padrões considerados normais para a maioria das pessoas, mesmo não buscando ser igual a todos. Entretanto, tal fato não se limita apenas à ficção, pois se mostra presente na atualidade brasileira, podendo se intensificar com a indiferença da sociedade e a negligência das escolas.
Em primeira análise, ressalta-se a falta de interesse da sociedade referente as doenças neurológicas, como autismo e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Desse modo, tal sociedade que deveria incluir a todos, faz um descaso com a massa de pessoas com transtornos, contrapondo a ideia defendida por Paulo Freire que a inclusão das pessoas se aprende com as diferenças e não com as igualdades, apontando fatores como empatia e respeito. Nesse viés, fica claro que os transtornos neurológicos são vistos pela sociedade como algo problemático em que não devem ser incluídas pessoas com diferenças.
Ademais, é notório o abandono do sistema educacional referente a defesa das pessoas que sofrem de transtornos, visto que, não há as devidas punições para as pessoas que praticam o bullying, de modo que as que sofrem se silenciam e apenas aceitam a reação das outras, sem praticar nenhuma ação sobre elas. Sob essa ótica, o conceito defendido por Jurgen Habermas que diz que a linguagem é a mais verdadeira forma de ação das pessoas, é banalizado, de modo que nem mesmo a linguagem expressada é tratada com a devida importância. Por conseguinte, é evidente que, o corpo educacional deixa a desejar aos alunos que mais precisam e é necessário uma mudança.
Portanto, medidas devem ser tomadas pressionando uma melhoria da inclusão. Dessa maneira, o Ministério da educação com o Ministério da saúde devem promover e investir em um maior acesso ao conhecimento sobre pessoas autistas, com TDAH e outras síndromes, por meio de campanhas e palestras em escolas e hospitais, com profissionais qualificados. Isso posto, com a finalidade de tornar a vida das pessoas mais felizes e compreensíveis, ao contrário da difícil vida de Sam.