Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 20/08/2022

O princípio de equidade, importante pilar da Constituição Federal brasileira, define-se como a adaptação da norma à situação concreta. A realidade no Brasil, entretanto, não é contemplada por essa ideia, uma vez que o sistema educacional brasileiro pouco é adaptado para sanar as necessidades de pessoas com transtor-nos neurológicos, o que prejudica sua inserção no meio social. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e elaborar uma medida que solucione a mazela no país.

Inicialmente, é válido destacar que a educação no Brasil ainda segue moldes ultrapassados de ensino. Para isso, o pedagogo Paulo Freire abordava o conceito de “educação bancária”, que se refere ao modelo vigente de educação brasileiro, no qual o professor deposita o conhecimento na cabeça do alunos e desconsidera suas individualidades. Desse modo, diferentemente da equidade idealizada pela Carta Magna, não existe adaptação às necessidades de estudantes com transtor-nos neurológicos, o que os deixa em desvangem em relação aos outros e promove sua exclusão do meio social.

Como consequência, a minoria em questão não é adequadamente inserida na sociedade. De fato, a série televisiva “Atypical” mostra o cotidiano de Sam Gardner, um adolescente no espectro autista em busca de sua autonomia e independência, que encontra dificuldades para avançar na vida acadêmica e se posicionar no mer-cado de trabalho. Fora da ficção, a realidade brasileira está repleta de exemplos de pessoas com deficiência que não têm todo seu potencial aproveitado, o que não só comprova os impactos do antiquado sistema educacional brasileiro, como também evidencia a urgência de medidas serem tomadas.

Sob essa perspectiva, cabe ao governo federal elaborar iniciativas que solucio-nem a mazela no país. Para tal, ele pode agir por meio do Ministério da Educação e disponibilizar gratuitamente cursos capacitantes ao corpo docente sobre a edu-cação inclusiva, com aulas que abordem a adequação de atividades às necessida-des individuais dos estudantes, a fim de faciitar sua inclusão no corpo social. Assim, será possível aproximar o modelo de ensino aos ideais freirianos, e pessoas como Sam poderão viver em uma sociedade mais justa, baseada na equidade.