Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 27/08/2022

Em 1889, o filósofo Raimundo Teixeira Mendes adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a bandeira nacional brasileira, mas também para o país que enfrenta inúmeros empecilhos para o seu desenvolvimento, como os desafios acerca da educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas. Nessa perspetiva, tal panorama decorre de uma vasta negligência governamental agregada a uma significativa banalização e menosprezação pública e estudantil.

Diante desse cenário, é fulcral ressaltar que o descaso por parte dos órgãos superiores em promover políticas públicas para diminuir a frequência desse óbice, faz com que o mesmo se mantenha vigente. Seguindo essa análise, pesquisas feitas pela CNN, em 2020, mostraram que o número de estudantes com transtornos neurológicos, como o TDAH, o autismo, a ansiedade e a depressão, presentes nas escolas chega a 40%. Todavia, não há preparo profissional nem conhecimento empático dos outros jovens para ajudá-los nesses ambientes.

Ademais, é mister analisar a questão da banalização e menosprezação pública e escolar sobre os jovens que são diagnosticados com esses casos. Sob esse viés, destaca-se a série Atypical, produzida pela Netflix, o qual o personagem Sam é portador do autismo e ao ir para o colégio sofre vastas repressões e preconceitos, bem como, precisa da ajuda dos pais para aprender matérias escolares, visto que não havia profissionais capacitados para transmitir esse conhecimento a ele no local. Outrossim, se corrobora, de acordo com estudos do G1, que o bullying sofrido por esses grupos em sua fase de diagnótico inicial gera a intensificação mais rápida e elevada dos transtornos, causando o aumento da aversão à escola.

Portanto, é de indubitável importância que o governo federal, na condição de garantidor dos direitos individuais do cidadão, promova políticas públicas para mitigar esse óbice. Para tanto, é primordial a implementação de leis que, por meio da disponibilização de verbas, assegurem a contratação de profissionais da área e psicológos para os colégios. Como também, que haja a conscientização popular sobre a necessidade de acolhida dessa pessoas, mediante a palestras públicas e nas turmas. Em suma, será possível almejar a diminuição da insegurança estudantil, o cumprimento do lema de 1889 e o maior bem-estar empático social.