Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 28/08/2022

A série norte-americana, “Good Doctor”, narra a história de superação de Shaun, um médico autista que se torna um respeitável profissional. Longe da ficção, a realidade nacional é díspar à obra, isso porque crianças e jovens, com o mesmo diagnóstico do protagonista, enfrentam desafios em permanecer nas escolas, situação que inviabiliza o futuro de muitos. Assim, é necessário avaliar como a postura apática da sociedade contribui para que os locais de ensino não disponham de estrutura adequada para atender essa parcela populacional.

Deve-se pontuar, de início, o descaso que a sociedade dá ao tema. Sob esse viés, segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismo no Brasil, na qual determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a visibilidade necessária. Um exemplo desse cenário foi o relato do Fiuk, que revelou ter enfrentado dificuldade, durante seus anos escolares, devido ao despreparo da equipe escolar em lidar com um aluno com Transtorno e Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Destarte, é perceptível que o reduzido debate sobre a educação de pessoas com transtornos neurológicos, dificulta a mudança dessa situação preocupante.

Em consequência, a população não pressiona o Estado para que este tome providências. Nessa perspectiva, o artigo 205 da Constituição Brasileira garante que todos têm direito à educação. Contudo, na prática isso não ocorre, uma vez que a equipe de professores e demais funcionários das instituições de ensino não possuem qualificações que os permitam lidar com alunos com diagnósticos de transtornos neurológicos. Logo, muitas pessoas não terminam seus estudos, pois o despreparo do grupo pedagógico não fornece condições de permanência.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para conscientizar a população sobre a importância da sua participação na construção de políticas públicas. Dessa forma, é dever da mídia televisiva - no papel de grande difusora de informação e formadora de opinião - incluir o debate sobre a importância que a pressão social exerce nas decisões governamentais na pauta de jornais, novelas e demais programas. Diante disso, espera-se que mais alunos tenham o sucesso semelhante ao de Shaun e que a Constituição Cidadã seja respeitada.