Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 27/08/2022

Manoel de Barros, artista modernista, retratou em suas obras a “Teologia do Traste” que tem como objetivo estreitar seu olhar àquilo que é excluído. Posto isso, existe um cenário no Brasil de desafio com relação à educação de pessoas com trantornos neurológicos. Diante desse aspecto, a estigmatização e a dificuldade de convívio são fatores a serem discutidos.

Primariamente, é válido destacar que a sociedade estigmatiza essas pessoas. Sob esse viés, o livro “No mundo da lua” do médico Paulo Mattos, responde, em cem curtos capítulos, as dúvidas mais frequentes a respeito do TDAH. Apesar disso, os conhecimentos acerca de transtornos neurológicos não abrangem amplamente a sociedade, tendo em vista os estigmas ainda associados a essas questões, como “retardados” para àqueles que tem déficit de atenção e “malucos” para os que tem esquizofrenia. Logo, medidas combativas a respeito disso tomam caráter urgente.

Além disso, é importante ressaltar a explícita dificuldade de pessoas com transtornos de se adequar aos moldes sociais, que são exigidos por um mundo regido pelo padrão inalcansável de produtividade da quarta revolução industrial. Desse modo, manter a constância e agilidade exigidas são desafios intrínsecos a quem sofre desses problemas, e o não cumprimento das obrigações atreladas ao padrão de funcionamento da sociedade acarreta em problemas na escola e relacionamento com familiares e amigos. A partir disso, é de suma importância que seja difundida a ideia de compreensão das dificuldades dos que sofrem de transtornos.

Por fim, tendo conhecimento acerca da causa, as escolas - principal agente promotor de inserção socioeducacional - devem promover aulões com participação de alunos acometidos por disfunções neurológicas e alunos neurotípicos, a fim de fomentar a melhor convivência e adequação de todos no ambiente escolar, além de combater os estereótipos. Essas ações devem, então, ser intermediadas por professores e profissionais da psicologia e psiquiatria, dando, assim, enfoque àqueles menos abastecidos, assim como nas obras de Manoel de Barros.