Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 02/09/2022

Theodor Wiesengrund, filósofo da Escola de Frankfurt, defende que os indivíduos devem ser analisados de acordo com o contexto da sua existência social. Nessa lógica, torna-se pontual entender os desafios para uma educação inclusiva e neuro diversificada no Brasil. Nessas circunstâncias, torna-se evidentes, como causador do problema a ineficiência governamental e a metodologia educacional.

A princípio, identifica-se que as políticas públicas de acesso a cidadania dos indivíduos com transtornos neurológios são ineficientes. Acerca disso, o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, afirma que a legislação brasileira embora aparente ser completa, em teoria, não se verifica na pratica. Prova disso, é o descaso com a plena educação das pessoas com transtornos neurológico, como autismo e TDAH. Isso corre, pois, as necessidades desses grupos (como o auxílio de um psicopedagogos) são negligenciadas por parte do Estado, por falta de interesse público em investir em acessibilidade. Logo, verifica-se uma cidadania de papel.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outra barreira a fim de se garantir uma educação inclusiva. Diante disso, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do educador Paulo Freire, na medida em que ele destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-cientifico, mas também, o respeito e a valorização da neurodiversidade. Em consonância, para que a educação seja inclusiva, é necessário a capacitação dos profissionais que atuam nela. E suma, é necessário romper com esse status.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se contrapor a essa realidade. Para isso, é considerável que o governo, recorrendo ao Ministério da Educação, desenvolva ações que garantam a inclusão social. Tais ações devem ocorrer nas escolas, com o incentivo financeiro, por parte do Estado, para a qualificação de professores engajados na educação socioconstrutiva. Além disso, é fundamental acrescentar nos currículos escolares aulas sobre a diversidade das funções cognitivas e a sua importância. Os efeitos dessas práticas consistem na consolidação da pluralidade no Brasil, como Freire idealizou.