Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 08/09/2022
Na série norte-americana “Atypical”, é retratada a história de um jovem em busca da inclusão das pessoas que são portadoras de necessidades especiais no ambiente escolar, como o Autismo e o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Apesar de se tratar de uma ficção, a realidade apresentada não se afasta do atual panorama brasileiro, tendo em vista os crescentes desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas do país. Diante disso, é fundamental analisar os entraves enfrentados por esse grupo para mitigar essa problemática no Brasil.
Deve-se pontuar, antes de tudo, o despreparo do sistema educacional brasileiro para a educação de crianças e jovens com transtornos neurológicos. Prova disso, segundo o Censo escolar de 2018, divulgado pelo INEP, cerca de 100 mil crianças e adolescentes com autismo estão matriculados na mesma sala que alunos sem deficiência. Sob essa ótica, convêm destacar que a falta de profissionais capacitados para a educação especial e de métodos de ensino específicos para esse grupo de estudantes são algumas das dificuldades enfrentadas por eles. Sendo assim, percebe-se que a realidade brasileira vai de encontro ao axioma aristotélico, no qual os desiguais devem ser tratados na medida da sua desigualdade, ou seja, é necessário analisar cada um visando cumprir as suas necessidades.
Outrossim, é válido ressaltar a dificuldade de socialização enfrentada pelas pessoas portadoras de transtornos neurológicos. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a educação faz um papel importante de transmitir instrumentos sociais e culturais – como costumes, regras e comportamentos, além de promover a socialização dos indivíduos seja na informalidade, por meio da educação familiar, seja pela educação formal nas escolas. Entretanto, não se pode negar que os portadores de necessidades especiais enfrentam a discriminação e a exclusão no ambiente escolar. Isso, consequentemente, atrapalha a criação de vínculos e relações sociais com eles. Logo, compreende-se a importância de melhorias no ambiente educacional para a inserção desses indivíduos na sociedade.