Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 06/09/2022

A obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de problemáticas. No entanto, no que concerne a contemporaneidade brasileira, observa-se o oposto do que o autor prega, uma vez que o corpo social está marcado por diversas tensões, dentre as quais vale destacar as adversidades na educação de pessoas com transtornos neurológicos. Tal cenário antagônico é fruto não somente de uma mentalidade retrógrada, mas também da dificuldade em se realizar diagnósticos precoces.

Antes de tudo, é fulcral pontuar que o viés deriva de posturas preconceituosas de parte da comunidade. Na Grécia Antiga, crianças espartanas com deficiências, consideradas incapazes de se tornarem guerreiras, eram atiradas de precipícios. Analogamente, na atualidade, indivíduos com transtornos mentais ainda são discriminados e constantemente segregados, o que, em um ambiente escolar, dificulta sua integração. Desse modo, esses cidadãos têm seus direitos desconsiderados e sofrem prejuízos em sua aprendizagem, haja vista que a boa convivência entre alunos é fundamental tanto para o desenvolvimento infantojuvenil como para a melhora de habilidades socioemocionais.

Ademais, é imperativo ressaltar avaliações tardias como promotoras do problema. Segundo o poeta Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”. Nessa perspectiva, tal premissa é igualmente válida para questões individuais, sendo essencial que portadores de distúrbio psicológicos tenham a doença rapidamente identificada, de modo que providências possam ser tomadas. Contudo, muitos estudantes não recebem diagnóstico para o transtorno, o que implica carência de tratamento e de acompanhamento especializado, prejudicando sua educação.

Depreende-se, portanto, medidas que venham mitigar os entraves no ensino de pessoas com problemas neurológicos. Assim, cabe ao Ministério da Educação, por meio da disponibilização de cursos capacitantes e instrutivos para o corpo docente - especialmente para professores e psicólogos - potencializar a educação inclusiva e assegurar assistência a esses alunos, a fim de garantir sua escolarização. Somente assim, a coletividade se aproximará da utopia de More.