Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 11/09/2022
O Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem (ATA) busca explicar que é necessário identificar os fatores que levam ao fracasso escolar e diferenciar as dificuldades escolares. Entretanto, tais garantias são negligenciadas quando o sistema educacional brasileiro impõe um método avaliativo conteudista e desigual. Dessa forma, as pessoas com transtornos neurológicos são inseridas em ambientes escolares inadequados para seu reaproveitamento, se sentindo muitas vezes frustradas por não conseguirem se desempenhar com tamanha facilidade como os outros.
Deve-se destacar, primeiramente, que as pessoas com transtornos neurológicos estão em uma posição de invizibilidade na sociedade. Nesse sentido, segundo Alicia Fernandez, uma psicopedagoga argentina, em um ambiente de aprendizagem é preciso que o sujeito ensinante conecte-se com o sujeito aprendente. Desse modo, quando se trata de ensinar aquele que possui habilidades e comportamentos diferentes dos demais, não apenas o sistema mas os mediadores de ensino devem se conectar com o aluno. Logo, compara-se que a ausência de uma equipe preparada prejudica na educação dessas pessoas.
Além disso, o sistema de escolarização atual dificulta incluir portadores de transtornos no ambiente escolar. Sob essa perspectiva, a psicoterapeuta Phyllis Chesler aponta que uma saúde mental ideal, como a liberdade, existe para uma pessoa apenas se ela existe para todas as pessoas. Contudo, em um meio em que a competição é estimulada entre os alunos, deprezando assim particularidades e diferenças de cada um, não conseguir seguir esse rótulo se torna um desafio. Dessa maneira, observa-se como esse problema promove frustrações.
Portanto, os métodos de ensino precisam ser mudados para atender as especificidades de pessoas com transtornos neurológicos. Para isso, é fundamental que o Ministério de Educação, mais especificamente órgãos municipais e estaduais, crie políticas educacionais para desenvolver metodologias de ensino inclusivas. Essa iniciativa ocorrerá por meio de estratégias e reavaliações precisas. Isso será feito a fim de um maior reconhecimento dessas patologias, tendo em vista da omissão que as escolas praticam em relação a essas adversidades.