Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 14/09/2022

Certamente, associar mau comportamento dentro da sala de aula unicamente com falta de educação, é inapropriado. Sem dúvidas, o conhecimento sobre transtornos neurológicos e seus sinais ganhou espaço devido ao avanço e a facilidade do acesso à informação, porém na educação, ainda é um desafio. Em contraste com isso, o ambiente escolar padronizado, a falta de atenção da escola e dos pais aos sintomas reafirma as dificuldades. Logo, torna-se preciso debater os obstáculos com a finalidade de evitar prejudicar o aprendizado.

Primeiramente, apesar da compreensão dessa realidade, o ensino segue ajustado a um perfil singular de alunos. Tal situação, causada pela falta de preparação dos educadores e da escola para lidar com a pluralidade, gera um ambiente seletivo no qual indivíduos com autismo e TDAH, por exemplo, tenham lacunas no aprendizado sentindo-se excluídos. Isto é, tais condições neurológicas não devem ser fatores limitantes, como retrata o filme “Forrest Gump” em que o personagem principal tem traços autistas, apresentando uma maneira diferente de enxergar o mundo, relacionar-se com as pessoas e mesmo assim alcançando sucesso em tudo que propõe-se a fazer.

Ademais, a falta de saber reconhecer os sinais dessas adversidades, muitaz vezes, pode criar a concepção de que todo aluno disperso e agitado é mau educado. Infelizmente, essa carência faz com que não exista busca de tratamento com um profissional, prejudicando o ensino e o convívio social. Próximo a isso, segundo a psicopedagoga Lucinda Leitão, no isolamento gerado pela pandemia os pais tiveram uma convivência integral com os indícios comportamentais de TDAH, notando as falhas pedagógicas e dificulade de aprendizado, mostrando importância de reconhecer o assunto e buscar orientação para evitar problemas.

Portanto, as barreiras existentes no ensino desses jovens devem ser quebradas. O Estado, como agente regulador da sociadade, juntamente com o Ministério da Educação, deve promover a especialização dos educadores para acabar com o ensino padronizado. Além disso, torna-se relevante promover debates e palestras para os pais e alunos sobre a existência dessas condições e os tratamentos, diminuindo a defasagem e abrangendo a pluralidade dos indivíduos.