Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 14/09/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos superficiais e egoístas que regem essa nação. Todavia, no contexto hodierno, os desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos no âmbito nacional não se distaciam da ficção expressa na escrita do autor. Dessa maneira, a ausência estatal e os estigmas impostos pelo corpo social corroboram para o avanço da problemática.

Precipuamente, é fulcral pontuar o descaso governamental. No livro " Cidadão de Papel", de Gilberto Dimenstein, o autor cita que os direitos constitucionais residem tão somente na teoria. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5, assegura o direito a educação a todo cidadão brasileiro. Contudo, a falta de professores capacitados para o ensino dos cidadãos com transtornos, intríseca a uma má infraestrutura escolar tangenciam para uma maior evasão desses grupos do ambiente colegial. Assim, o mundo moderno não se distância da perspectiva do autor.

Além disso, o estigma social ressalta o problema. Na série norte-americana “Atypical”, é retratado a história de um personagem com transtorno do espectro autista, onde demonstra a vivência dele em período escolar e as suas dificuldades. Não distante da ficção, a indiferência do âmbito social aliada a discriminação, implica na falha de uma educação inclusiva, deixando a população com transtorno a espreita da sociedade. Dessa forma, a realidade contemporânea se expressa na série fictícia.

Portanto, medidas exequíveis tornam-se necessárias para conter o avanço do problema. O Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, por intermédio dos governos municipais, deve destinar verbas para a produção de cursos profissionalizantes a fim de garantir uma melhor especialização dos profissionais da educação. Ademais, os centros educacionas, com o apoio dos núcleos midiáticos, devem promover campanhas e palestras que tenham a finalidade de combater o preconceito enraizado na sociedade contra as pessoas com transtornos. Desse modo, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da problemática.