Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 16/09/2022
A violência simbólica -termo trabalhado pelo filósofo Pierre de Bodieu- expressa-se quando uma parcela social não usufrui de um direito comum aos demais cidadãos. A ideia de Bodieu pode ser verificada nas escolas do país ao analisar os desafios para integrar pessoas com transtornos neurológicos no processo educacional, constituindo, segundo o autor, um dano à nação. Com efeito, vale destacar as prin- cipais causas da questão que são a ineficiência legislativa e a invisibilidade atual.
Dessa forma, em primeira análise, é imprescindível analisar a insuficiência das leis como fonte do problema. Sob essa ótica, Gilberto Dimenstain, escritor e jornalista nacional, explica que as normas são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidadania. A crítica do autor, de fato, consolida-se na hodiernidade, visto que, mes-mo com a presença de normas que garantam a educação como um direito inalie- nável, os alunos com transtornos mentais,muitas vezes, não acessam essa garan-tia. Isso se dá pela existência de barreiras que impossibilitam a inclusão de todos no meio escolar, como a falta de materiais e professores de apoio. Assim, é urgen-te que a cidadania de papel -de que o jornalista fala- seja superada.
Ademais, a invisibilidade da questão é um fator determinante. Com base nisso, a socióloga contemporânea Djamila Ribeiro diz ser necessário fornecer visibilidade a uma situação para que soluções sejam promovidas. Há, no entanto, um silencia-
mento instaurado no que diz respeito aos desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos no país, haja vista que esse assunto raramente é dis-
cutido na mídia nacional. Sobre essa análise, vale destacar que os meios comunica-tivos apenas expõem alguns casos do tema, mas não o debatem de forma ampla. Com isso, informações importantes não são transmitidas, como formas dos educa-
dores minimizarem esse cenário de desigualdade educacional. Desse modo, urge tirar essa situação da obscuridade para agir sobre ela, como defende Djamila.
Portanto, é fulcral atuar sobre esse problema. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações-regulador dos meios midiáticos- promover maior visibilidade à cau-
sa, por meio de programas e anúncios televisivos, visando à exposição do tema. Outrossim, o Estado deve rever suas leis, objetivando efetivá-las. Destarte, ter-se-á um Brasil diferente daquele retratado por Dimenstain.