Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 26/09/2022

Malu Perini, apresentadora do podcast “Os sócios”, contou, em uma de suas entrevistas, que descobriu a sua dislexia - transtorno que dificulta a leitura e escrita - depois de adulta. Antes da descoberta, Malu demorava para aprender assuntos por métodos tradicionais de ensino, solucionando a situação depois de adaptar o estudo a sua condição. Desse contexto à realidade brasileira, percebem-se semelhanças, uma vez que desafios na educação de pessoas com transtornos neurológicos são recorrentes. Logo, cabe uma discussão sobre o assunto.

Em primeiro lugar, é preciso explicitar que a falta de informações e debates sobre a educação de indivíduos com transtornos neurológicos atrasa a eficiência nos estudos desse aluno. Nesse sentido, o sociólogo da Escola de Frankfurt, Habermas, defende a importância da comunicação na apresentação de injustiças sociais, a fim de entendê-las e superá-las. De modo análogo ao texto, sem o diálogo e a divulgação de conhecimento sobre esses transtornos, as tentativas de melhora na educação não são executadas, o que impede que alunos nessa condição tenham um pleno auxílio para poderem descobrir, precocemente, como aprendem melhor.

Ademais, outro desafio na edução de alunos com transtornos neurológicos é a existência de um sistema de ensino padronizado. Dessa forma, o estudante é forçado a se adaptar a uma metodologia incompatível a sua condição, o que também não ajuda na descoberta de meios mais eficientes para o pleno aprendizado. Prova disso é a própria Malu Perini, que verificou suas facilidades na aprendizagem somente depois de sair da escola e faculdade.

Infere-se, portanto, a necessidade de mudanças nesse contexto social. Para isso, cabe ao Ministério da Educação a aplicação de palestras nas instituições de ensino, público ou privada, sobre a importância de adotar modelos de ensino que visem a diversidade. Além disso, será necessária a execução de palestras para pais e professores sobre como auxiliar os jovens a descobrirem por quais meios a aprendizagem se faz de modo mais confortável, a fim de alcançar a eficiência do aluno. Todas as apresentações serão feitas por profissionais da área de neurociência e pedagogia em sessões noturnas. Assim, dificuldades, como as sofridas por Malu Perini, poderão ficar no passado.