Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 27/09/2022

Na série Atypical, produzida pela Netflix, é retratada a vida de um jovem autista e suas dificuldades no ambiente escolar. Fora da ficção, isso também é uma realida-de, já que muitos adolescentes enfrentam os desafios de vivenciar um aprendizado direcionado àqueles que não possuem transtornos neurológicos. Dessa forma, o baixo reconhecimento legislativo e a falta de adequações ao método de ensino são os principais desafios para a educação de portadores de adversidades mentais.

Em primeira análise, é necessário destacar a ineficácia da legislação em relação a inclusão de alunos com transtornos. Segundo o artigo 6° da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos. Entretanto, nota-se que a ausência de leis que abordem as necessidades especiais daqueles que vivem com psicopato-logias é um obstáculo ao acesso educacional de qualidade. Sendo assim, a falta de normas legais para o tratamento de um aluno com problemas mentais faz com que este tenha que seguir os métodos aplicados a todos os outros colegas, o que certa-mente não proporciona igualdade.

Consequentemente, o ensino tradicional aplicado pelas escolas é um empecilho ao entendimento do aluno com distúrbios. Conforme a teoria educativa de Paulo Freire, o ensino deve ser baseado na realidade do indivÍduo. Paralelamente, a au-sência de atividades especiais voltadas a esse público contribui com a dificuldade no aprendizado, uma vez que os estímulos necessários não são gerados. Assim, exercícios dinâmicos, por exemplo, são uma alternativa ao método tradicional, que não costuma beneficiar os portadores de psicopatologias. Desse modo, é preciso avaliar as necessidade de cada um e fazer adaptações à realidade do aluno.

Portanto, para lidar com os desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com psicopedagogos, ela-borarem uma cartilha que ofereça diversas formas de ensino e destiná-las às esco-las. Dessa maneira, os professores poderão testar e escolher a metodologia que melhor atenda às demandas do alunos. Além disso, é dever do Legislativo brasi-leiro propor leis que obriguem as escolas a utilizarem ferramentas diferentes na educação de pessoas com distúrbios. Busca-se, então, proporcionar o pleno direito à educação, como previsto na Constituição.