Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 28/09/2022

Malu Perini, apresentadora do podcast “Os sócios”, expôs em uma entrevista as dificuldades que sofreu relacionadas à dislexia e ao sistema de ensino padrão. Do contexto citado à realidade brasileira, não se percebem muitas diferenças, uma vez que os desafios na educação de pessoas com transtornos neurológicos são recor-rentes. Isso advém, principalmente, de uma ineficiência estatal e traz consequênci-as, como o prejuízo ao desenvolvimento futuro de indivíduos com esses distúrbios.

Sob esse viés, a pouca ação do Estado na garantia da efetivação da lei que exige acompanhamento específico a indivíduos com transtornos de aprendizagem - san-cionada no governo Bolsonaro - leva a uma segregação desse grupo e a uma manutenção nas dificuldades de educá-los. Isso porque, ao não obrigar e fiscalizar o cumprimento da lei nas instituições escolares, o sistema padrão de ensino, o qual não considera a diversidade de alunos, perpetua-se. Sendo assim, os estudantes com disfunções que não se adaptam à metodologia aplicada são apartados do entendimento das matérias, visto que só há uma única maneira de aprender dispo-nível. Logo, os desafios na educação desse grupo se mantém.

Ademais, essa perpetuação do ensino padronizado e excludente pode trazer per-das ao futuro dos portadores de distúrbios neurológicos. Tal situação acontece de-vido ao possível atraso na descoberta (ou mesmo desconhecimento) de métodos educacionais mais eficientes para esses alunos, já que a diversidade não é instiga-da. Dessa maneira, oportunidade futuras, como a ascensão social por meio de uma carreira acadêmica - rota comum de alcançar uma condição financeira estável -, ficam gradativamente mais distante da realidade desse grupo, o qual não recebe orientação plena para lidar com a própria racionalidade de maneira efetiva.

Infere-se, portanto, a necessidade de mudanças nesse contexto social. Dessa for-ma, cabe à Mídia brasileira a elaboração de uma campanha de conscientização sobre a importância de se fazer cumprir a lei supracitada. Tal campanha será reali-zada por meio de propagandas em horário nobre com profissionais da pedagogia e saúde, os quais explicitarão os benefícios do auxílio escolar específico aos estudantes com transtornos neurológicos, a fim de angariar a população a exigir eficiência do Estado em relação a essa questão.