Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 03/10/2022

A obra cinematográfica “Como Estrelas na Terra” relata a história de Ishaan, um garoto que luta contra um distúrbio de aprendizado. Dando início a sua jornada, Ishaan é enviado a um internato e lá conhece Ram, um professor de artes que logo resolve ajudar o jovem, dando a ele as ferramentas adequadas de acordo com suas necessidades. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com os obstáculos pertinentes a educação de pessoas com transtornos neurológicos. Nessa perspectiva, tais desafios devem ser analisados e contornados de imediato: o preconceito diante a busca por instrução pela população afetada e a escassez de profissionais e recursos qualificados.

Em primeira análise, é relevante postular que a educação é um bem de valor social. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, dentre os direitos que asseguram o bem-estar e a qualidade de vida dos indivíduos, está a educação, responsável por influenciar e moldar o comportamento dos homens. Contudo, a realidade mostra-se o oposto e o resultado desse contraste pode ser refletido no atual cenário, dado que os indivíduos com transtornos neurológicos carentes de educação são alvos de infâmia e antipatia pela população.

Ademais, segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez das atuais relações humanas culmina na transferência do ideal de progresso como melhoria coletiva para o de ascensão própria, fenômeno que corrobora com as mazelas que circundam a educação no Brasil, tal como a ausência de profissionais qualificados e instruídos a corresponder as necessidades dos estudantes, que variam de acordo com suas individualidades.

Em suma, os desafios realicionados a educação de pessoas com transtornos neurológicos no país são reflexos da postura social. Dessa forma, medida devem ser tomadas a fim de contornar a situação. Urge que o Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas governamentais, adeque as instituições de ensino, portando profissionais qualificados e capazes de atenderem as diferentes demandas de estudantes. Em paralelo, juntamente com o setor midiático, tal ministério deve promover a conscientização e solidarização da população com as vítimas da débil educação inclusiva no Brasil.