Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 05/11/2022
O filme “como estrelas na terra toda criança é especial”, narra a trajetória de uma criança com dislexia que enfrenta dificuldades no ambiente escolar por não ser compreendida. Longe dos cinemas e sob as lentes da realidade brasileira, a situação descrita na ficção se repete diariamente nas escolas, o que se configura em um desafio, tanto ao discente quanto ao docente, no que diz respeito à estrutura organizacional da escola e o preparo do professor.
Primeiramente, é importante mencionar que a Lei nº. 8069/1990 estabelece que toda criança e adolescente tem direito à educação. Sendo assim, a rede pública recebe alunos laudados com transtornos globais do desenvolvimento e, em muitos casos, ela não possui preparo estrutural para possibilitar um melhor aproveitamento das habilidades do educando e desenvolver assim, novas competências. Tais problemas podem estar relacionados a organização das salas em fileiras e do horário escolar em ciclos, situações que podem aflorar no educando maior ansiedade, dificultando assim seu progresso intelectual.
Em segundo lugar, a Lei nº. 9394/92 preconiza que deverão ocorrer formações continuadas aos professores. De fato elas ocorrem, no entanto, nesses momentos podem não estar sendo debatidos a fundo e com afinco, métodos que possam propiciar um melhor aproveitamento dos conteúdos em benefício do portador de necessidade. Sendo assim, mesmo o profissional buscando novas metodologias, acaba por não conseguir consolidá-la, o que, de maneira indireta, pode ocasionar ao estudante uma sensação de exclusão social.
Nesse sentido, para que esses indivíduos sejam alcançados e de fato avancem na obtenção e armazenamento do conhecimento, além de formações em educação especial ao professor e maior tempo dedicado às pautas da inclusão, é indispensável que haja uma reformulação no arranjo institucional. Uma proposta a ser realizada pelo Ministério da Educação é a de um horário flexível, baseado na observação comportamental do estudante e destinado apenas aos alunos com necessidade. Assim, o professor poderá permitir que o aluno realize as atividades pedagógicas em outro ambiente à medida que detectar qualquer agitação anormal. Esse é um dos caminhos para uma educação inclusiva e integral.