Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 06/10/2022
A série “The Good Doctor” tem como personagem principal Shaun Murphy (Freddie Highmore), médico cirurgião autista que exerce sua profissão com maestria, mas encontra problemas visto que muitos colegas e pacientes o julgam por seu transtorno neurológico. Diante da temática da inclusão de pessoas com transtornos dessa ordem, o Brasil tem avançado no âmbito escolar, haja vista que existem leis como Berenice Piana, que garantem assistência educacional aos brasileiros com deficiência. No entanto, ainda existem obstáculos a serem superados, ainda mais quando se trata do dia a dia em sala de aula e convivência.
Segundo pesquisa realizada pelo INEP, instituto brasileiro de pesquisa educacional, em 2020, o número de pessoas com autismo, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e deficientes que se matricularam em escolas comuns ultrapassou a marca de um milhão. No entanto, as escolas brasileiras não estão preparadas para isso. Há anos, a rede pública de ensino vem enfrentando dificuldades quanto a falta de professores regulares, de acordo com pesquisa da LCA Consultoria. Sendo assim, alunos de inclusão não conseguem receber o acompanhamento devido, até mesmo pela inviabilidade de um professor auxiliar.
Outro obstáculo referente à educação de pessoas com necessidades especiais é a falta de preparação dos professores. Segundo as Diretrizes Nacionais Curriculares do curso de pedagogia, embora os universitários estudem a respeito da diversidade, eles não têm um conhecimento focalizado na educação especial, sendo necessário realizar especialização no assunto. Diante disso, se não há professores capacitados, o assunto não é abordado em classe.
Portanto, haja vista as barreiras que precisam ser superadas para uma inclusão efetiva, é necessário que o Ministério da Educação se atente às limitações das escolas brasileiras investindo recursos arrecadados de impostos para a capacitação de profissionais e a realização de concursos públicos para suprir a falta de docentes. Além disso, ele deve reestruturar a base curricular dos cursos de licenciatura, incluindo a disciplina de Educação Especial e destinando recursos do ministério para tais fins. Assim, será possível formar bons cidadãos e profissionais.