Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 17/10/2022
No filme “Extraordinário”, a personagem principal, Auggie, nasce com uma deformidade no rosto, e após passar substancial parcela de sua vida estudando em casa, começa a frequentar uma instituição de ensino público. Como resultado, Auggie passa a ser discriminado pelas outras crianças. Nesse contexto, relaciona-se a situação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras, que são, muitas vezes, segregadas por sua deficiência. Seguindo essa problemática, surgem dois desafios a serem sanados: o despreparo de professores e a falta de infraestrutura.
Em primeira análise, percebe-se que um dos grandes desafios para a educação dessas pessoas é a falta de profissionais capacitados. No Brasil, encontra-se um descaso com os educadores, o que é refletido no déficit destes no cenário educacional, como mostra a pesquisa “Risco de Apagão Docente”. Dessa forma, a necessidade de acompanhamento especializado por estudantes com deficiência não é atendida, uma vez que não há mão-de-obra no mercado. Essa ausência impossibilita condições de igualdade entre os alunos, que não possuem direitos educacionais básicos assegurados.
Em segunda análise, destaca-se o despreparo estrutural das escolas como outro fator que influencia nesse óbice. Pessoas com transtornos neurológicos frequentemente exigem materiais didáticos e layout de salas de aula diferenciados, por exemplo. De acordo com o IBGE, metade das escolas do 1º ao 5º ano não possuem infraestrutura voltadas para alunos com deficiência. Assim, o aprendizado fica comprometido, uma vez que não são fornecidas condições adequadas nas instituições públicas de ensino.
Portanto, a educação inclusiva de pessoas com transtornos neurológicos é prejudicada pelo déficit de profissionais diplomados e a falta de estrutura das escolas. Para resolver o problema, cabe ao governo investir na formação de professores especilizados e destinar verba às instituições de ensino públicas, para o desenvolvimento de materiais pedagógicos e melhoria nas suas instalações. Tem-se como fim, garantir que os direitos de educação básica sejam expandidos à todas as pessoas com deficiência, inclusive aos Auggies.