Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 03/11/2022

No célebre livro “A Condição Humana”, a filosofa Hannah Arendt afirma que o espaço público é o lugar que se dá o exercício da ação política, isto é, da plena cidadania. Todavia, no contexto atual, pessoas com transtornos neurológicos apresentam dificuldade de inserção social, devido à precária escolarização ofertada. Nesse cenário, faz-se necessário coordenar ações públicas em prol desse grupo.

Nesse sentido, convém ressaltar que a exclusão do espaço público de pessoas com transtornos neurocognitivos não é apenas uma perda de um direito social, mas também um ato de desumanização baseado em preceitos eugenistas. Assim, essas pessoas históricamente preteridas são consideradas cidadãs de segunda classe, como na Islândia, país que não apresenta pessoas com Síndrome de Down, pois todos fetos diagnosticado com a doença são abortados antes de nascer.

Somado a isso, tem-se o problema de escolarização desse grupo. Em geral, pessoas com transtornos neurológicos têm aprendizado mais lento e os profissionais da educação, via de regra, não estão habilitados para conduzi-los adequadamente. Nessa conjuntura, várias famílias sentem - se desamparadas pela sociedade civil.

Portanto, para que pessoas com transtornos neurológicos experimentem a plena cidadania, cabe ao Ministério da Educação fornecer profissionais habilitados para escolarizar esse público, por meio de cursos presenciais oferecidos pela APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e, desse modo essas pessoas poderão ter acesso ao espaço público que fora previamente negado.