Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras
Enviada em 06/09/2023
O educador Paulo Freire afirmava que a inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades. No entanto, ao analisar a conjuntura brasileira, vê-se uma oposição à ideia, já que a negligência da educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas compromete a harmonia nacional. Logo, fazem-se necessárias medidas a fim de amenizar esse impasse, que dentre as causas estão: as metodologias educacionais ultrapassadas e o preconceito.
Sob essa perspectiva, vale destacar que o sistema educacional arcaico é um dos impulsionadores da falta de inclusão de crianças neuroatípicas nas escolas. Diante desse contexto, algumas instituições federais de ensino contam com um núcleo de apoio às pessoas com necessidades específicas, que visa contribuir para a equidade de condições de acesso à educação e propiciar inclusão nos espações da escola. Entretanto, esse ideal não é plenamente realizado, pois mesmo nas escolas que contam com esse tipo de serviço, a maioria dos profissionais da educação estão despreparados para receber alunos que sejam portadores de transtornos neurológicos. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não mudar suas estratégias de ensino, uma educação inclusiva será mera utopia no país.
Ademais, os entraves acerca do preconceito sintetizam outro desafio a ser sanado com urgência. No curta-metragem “Cordas”, o personagem Nícolas, que tem paralisia cerebral, é mandado para um orfanato e todas as crianças se afastam dele, com exceção de Maria. Todavia, caso Maria não tomasse a iniciativa de tentar incluí-lo em suas brincadeiras, o menino estaria isolado dos outros, fato extremamente comum entre as crianças com transtornos neurológicos. Dessa forma, é inadmissível que esse tipo de rejeição persista, visto que os indivíduos se tornam cada vez mais vulneráveis.
Sendo assim, devido aos métodos educacionais ultrapassados e ao preconceito, é necessário que o Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, promova oficinas para que os professores aprendam a lidar diante dessas situações e para que as crianças também saibam como se portar, por meio de voluntários capacitados. Tais medidas têm a finalidade de garantir a melhor inclusão de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras.