Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 09/10/2023

Na série “Atypical”, da Netflix, a família de Ben, um garoto autista, enfrenta diversas dificuldades para colocá-lo em uma escola que o aceite, devido às suas peculiaridades, como sua sensibilidade auditiva. Nesse sentido, assim como na obra abordada, surge o debate sobre os desafios para a inclusão de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras, na qual a negligência governamental e a falta de responsabilidade social se destacam como desafios para a resolução da problemática.

A princípio, faz-se necessária a discussão acerca da influência da inoperância estatal no contexto temático. Para Zymunt Bauman, sociólogo polonês, o Estado pode ser considerado um zumbi para o corpo social, uma vez que o agente não cumpre devidamente com o seu papel, nesse caso, o de garantir a inclusão efetiva de pessoas com síndromes intelectuais em instituições educacionais. Sob esse viés, evidencia-se que devido à falta de disponibilização de cursos profissionalizantes, profissionais da educação brasileira, como professores e diretores, não possuem formação adequada a respeito do tema, os quais, assim, ficam impossibilitados de promover ações de acolhimento eficientes a fim de promover a socialização dos indivíduos necessitados citados com outros alunos, por exemplo. Consequentemente, cidadãos com déficits de atenção e de aprendizado ficam reféns de uma má educação formadora, ao não encontrarem ambientes educacionais acessíveis, fato que aumenta a desigualdade entre esses indivíduos e os que não possuem algum tipo de transtorno, como na entrada em universidades, o que fere com a vigente Constituição de 88, a qual diz que todos, perante a lei, são iguais e têm direito à educação de qualidade.