Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 31/10/2023

A animação “Super Choque” narra a história de Virgil, um jovem que após ser ele-trocutado ganha poderes. Na obra, o Homem Elástico possui dislexia, o que, em tal contexto, faz o mocinho enfrentar dificuldades tanto nas missões heroicas quanto na vida real, ou seja, quando está na escola. Analogamente, a questão da educação para pessoas com transtornos neurológicos enfrenta problemas no que diz respei-to aos seus desafios. Assim, é lícito afirmar que a postura de negligência do Estado e das escolas contribui para perpetuação desse cenário nocivo.

Mormente, nota-se, por parte do Estado, a ausência de políticas capazes de asse-gurar um bom sistema de ensino para as pessoas com transtornos neurológicos. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Educação exerce na administração do país. Instituído para assegurar educação a todos, tal órgão ignora ações que poderiam fomentar o ensino para alunos com transtornos de a-prendizagem que; segundo dados do senado, ultrapassa 10% dos estudantes pre-sentes nas salas de aula; como por meio da criação de novos métodos de ensino que vise uma educação mais pluralista. Desse modo, o governo atua como perpe-tuador do processo de exclusão desses estudantes aos meios de ensino.

Outrossim, é imperativo pontuar que a postura de negligência das escolas tam-bém contribui para as dificuldades de aprendizagem dos alunos atípicos no Brasil. Isso decorre, sobretudo, da falta de capacitação de tais ambientes e profissionais da área em detrimento do impacto que a ausência de ensino gera em uma pessoa. Nesse sentido, há, de fato, uma postura de desleixo advinda dessas instituições que, por vezes, são ambientes hostis e pouco adaptados para pessoas com distur-bios neurológicos. Logo, é substancial uma reviravolta nesse quadro.

É necessário, portanto, que o Estado, mediante um amplo debate com sociedade civil, escolas e Ministério da Educação, desenvolva um novo Plano Nacional de Ensi-no Inclusivo para Pessoas com Transtornos Neurológicos, a fim de beneficiar o

maior número possível de alunos atípicos. Tal plano deverá focar na criação de no-vas metodologias de ensino para a educação inclusiva. Ademais, as escolas devem buscar capacitar-se para incluir tais estudantes. Dessa forma, a realidade complexa de aprendizagem do Homem Elástico estará cada vez mais distante da atualida.