Desafios para a educação de pessoas com transtornos neurológicos nas escolas brasileiras

Enviada em 07/10/2024

Em “Otelo”, obra literária do dramaturgo inglês William Shakespeare, é narrada a história de Otelo, general mouro a serviço do reino de Veneza. Na trama, Iago - alferes veneziano, afirma que as relações humanas, em sua gênese, são dotadas de ações prejudiciais a harmonia coletiva, mecanismo utilizado pelo autor para exaltar o teor retrógrado da sociedade. Paralelamente, os desafios para a educação de pessoas com transtornornos neurológicos nas escolas também são retrocessos para o cenário brasileiro. Nesse ínterim, entende-se a inoperância do Estado e o obscurantismo de informações como causas do entrave.

De início, é lícito pontuar o descaso estatal como potencializador do entrave. Isso porque, embora a Constituição de 1988 garanta a educação como elemento fundamental, a dificuldade, por parte do setor público, em reconhecer, acolher e lidar com o estudante portador de transtorno neurológico impede a garantia deste direito. Sob essa ótica, a educação brasileira torna-se excludente à medida que padroniza o ensino escolar, ao marginalizar, dessa forma, o estudante neurologicamente diferenciado. À luz dessa perspectiva, de acordo com Ayn Rand, filósofa russa, a sociedade repete ciclos de crueldade quando reprime a diversidade social. Desse modo, o aparelho estatal falha na democratização da aprendizagem ao segregar brasilerios com condições neurológicas atípicas.

Além disso, a falta de informação sobre o estudante psicologicamente singular prolonga os desafios enfrentados à convivência escolar. Neste tocante, Jurgen Habermas, sociólgo alemão, defende a ideia de que toda ação e resolução precede o debate. Nessa narrativa, a escassez informacional no que tange à inclusão do indivíduo impactado pelo transtorno nerulológico a educandários perpetua as mazelas que afetam tal grupo, haja vista ser irrisório combater algo do qual não se tem conhecimento. Nessa lógica, a ilusão, muitas vezes presente no corpo social, de que o afetado pelas peculiaridades neurológicas está melhor inserido no espaço domicilar é apenas um agente contra a socialização e desenvolvimento humano. Dessa maneira, infelizmente, a neurodiversidade é estigmatizada graças à omissão de informação que dissocia o portador da patologia do ambiente educacional.