Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 29/08/2019

A revolução digital modificou drasticamente as relações humanas. Consequentemente, meios de comunicação que demoravam anos para serem entreguem, por exemplo cartas e telegramas, hoje praticamente são inexistentes devido a agilidade das atuais tecnologias que os deixaram para trás. No entanto, a revolução digital excluiu tecnologicamente o público pertencente aos antigos meios de comunicação. Desse modo, a exclusão digital dos idosos é um desafio a ser combatido, de forma analisar as suas causas e efeitos, na qual se pode citar a falta de uma legislação abrangente e também a perca de autonomia dos idosos.

Em primeiro lugar, a legislação brasileira é incapaz de garantir aos idosos a acessibilidade digital. Isso pode ser analisado no texto do professor de Direito civil do site Consultor Jurídico, visto que é destacado no texto a falta de um artigo específico no Estatuto do Idoso referente a inclusão digital de pessoas com mais de 60 anos. Dessa forma, a ausência de direitos que garantam aos mais velhos o acesso ao meio digital influência de forma negativa na inclusão dos idosos no mundo da informática. Diante disso, é indubitável a necessidade de uma legislação abrangente e adequada aos tempos atuais, em que seja garantido aos idosos o acesso à tecnologia.

Em segundo lugar, a exclusão no acesso a novas tecnologias limita a autonomia dos idosos no mundo contemporâneo. De forma análoga ao pensamento do sociólogo Bauman, a sociedade atual está inserida em uma “modernidade líquida”, em que a internet influência diretamente nas relações sociais. Desse modo, os indivíduos que vivem “desconectados” ficam as margens da interação social e perdem a sua autonomia no que se refere a convivência social. Nesse contexto, é necessário a inclusão dos idosos no meio digital, pois assim será retomada a autonomia perdida por eles após a revolução digital.

Em tal contexto, medidas são necessárias para mitigar o problema. Para que os idosos retomem a autonomia, urge que o Congresso Nacional garanta a formação digital da terceira idade, por meio da criação de cursos de informática para idosos. Além disso, a fim de tornar a inclusão digital um direito da terceira idade, é necessário que o Governo Federal altere o estatuto do idoso, por meio de propostas legislativas que torne obrigatório a disponibilização de políticas públicas de acessibilidade do idoso ao meio digital. Somente assim os idosos no Brasil retomaram a autonomia vislumbrada no Estatuto do Idoso, mas perdida com as novas formas de comunicação.