Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 03/08/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade harmônica, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, no Brasil, chama a atenção os problemas enfrentados pelos idosos para serem incluídos na cultura digital e abre discussão sobre exclusão e seus desdobramentos. Nesse contexto, os dilemas que envolvem tal processo ocorrem, sobretudo, em razão do preconceito contra os idosos e ausência de políticas inclusivas.
Precipuamente, cabe destacar que segundo a Constituição Brasileira o idoso goza de todos os direitos legais, sendo obrigação de todo o corpo social garantir que este esteja incluso integralmente na sociedade. Apesar disso, é notável a ausência de longevos nas redes sociais e tal exclusão tecnológica ocorre em razão do preconceito contra esse grupo etário, que muitas vezes é invalidado socialmente e por esse motivo são vistos como seres não necessários no mundo virtual. Nesse sentido, tal quadro ganha a exclusão como mais uma vertente, uma vez que o mundo da tecnologia e das redes sociais é um forte engajador entre pessoas, comunidade e sociedade, e ao não garantirem que os macróbios também estejam inclusos nessa perspectiva, todo o corpo social age contra a Constituição.
Ademais, delineia-se importante falar que não flexibilização e atualização constitucional também é um fator agravativo desse quadro. Sob esse prisma, não existem leis específicas que incentivem a inclusão de idosos na tecnologia, o que torna o atual e problemático cenário ainda mais aceitável sobre os olhos da sociedade. À sombra desse ponto, é preciso salientar que a não atuação obrigatória do Estado, implica no incentivo do comportamento excludente, o que conduz para expansão e normalização da não participação do idosos. Nessa circunstância, segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua obra ‘‘Banalidade do Mal’’, quando ações antiéticas são praticadas rotineiramente, elas tendem a ocupar um espaço de normalidade. Logo, não deve-se deixar que tal questão ocupe espaço a normalidade, dadas as consequências não positivas do quadro.
Portanto, em vista dos fatos supracitados, medidas exequíveis são necessárias. À vista disso, o Governo por meio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, crie projetos de aplicação em todo âmbito federal para incentivas a inclusão de idosos no mundo digital. Isso pode ser feito com a criação de dias na semana voltados em escolas e em centros de assistência social para serem dadas aulas de informática e manuseamento de smartphones, com professores da informática, para levar a educação digital para o grupo de longevos. Além disso, as mídias de rádio, tv e internet, devem criar propagandas elucidativas, incentivando toda a sociedade para ajudar os idosos a entrarem no mundo digital, visando, assim, desmistificar os preconceitos arraigados e driblando a situação de exclusão atual.