Desafios para a inclusão digital da terceira idade

Enviada em 14/10/2019

O termo “Geração do Milênio”, é dado para aqueles que nasceram após 1980, os quais se desenvolveram em uma época de grande avanço tecnológico e maior facilidade no acesso a informações. Logo, para se inserir nesse novo panorama é necessário que haja democratização nesse espaço, todavia, a população idosa acaba tendo mais dificuldade em acompanhar essa nova era. Posto isso, é necessário discutir os desafios da inclusão digital da terceira idade diante de dois vieses: a exclusão social e o compromisso do Estado para com essa população.

A priori, é preciso destacar que marginalizar o ensino tecnológico para idosos, é exclui-los socialmente. O sociólogo Pierre Lévy, defende que toda nova tecnologia, cria seus excluídos, e isso deve ser contornado, para que todos possam ter direito a ampliação do conhecimento. Nessa óptica, ao limitar a inserção dos idosos ao uso de ferramentas digitais, reduz a socialização desse grupo, visto que atualmente há o domínio da virtualidade das relações sociais, assim, tornando-os ociosos e isolados. Ademais, muitos serviços são ofertados na internet, oferecendo conforto aos usuários, e isso para a população idosa seria positiva, devido suas limitações físicas e mentais. Assim, ao afastá-los disso corroboraria para que não tenham uma boa qualidade de vida afetiva e cotidiana.

Não obstante, o Estado tem papel fundamental nessa inserção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com mais de 65 anos, irá quadruplicar em 2060, e nos últimos 6 anos, houve um aumento de 26% de idosos no Brasil. Essa mudança no perfil demográfico nacional, reforça a necessidade de que o Estado e a sociedade estejam preparados, e possam promover aumento na qualidade de vida da população mais velha, inclusive no que diz respeito a alfabetização tecnológica, para que esses possam envelhecer com saúde, estimulando o aprendizado, a comunicação e o lazer. Uma vez que esse grupo está cada vez mais curioso e atento as modificações sociais e inseridos na transição da agricultura para os computadores.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, concerne ao Ministério dos Direitos Humanos junto ao Ministério da Educação, a promoção de cursos de informática básica e manuseio da internet, por meio de parcerias com os Institutos Federais e Universidades federais com alunos da área de informática, tal projeto ofertaria mini cursos gratuitos em projetos de extensão, os quais seriam lecionados por alunos que desejassem estagiar, acolhendo um grupo considerável de idosos em cada comunidade, objetivando a democratização de conhecimento e a inclusão digital da terceira idade.