Desafios para a inclusão digital da terceira idade
Enviada em 05/09/2019
Os avanços tecnológicos da Globalização não só facilitaram o processo de comunicação no mundo, como também isolaram grupos que não aderiram ao seu domínio. Com a disseminação da internet, a monopolização dos processos no âmbito cibernético permitiu uma maior simplificação e desburocratização das atividades, mas também significou uma barreira àqueles que não detém o conhecimento acerca dessa nova realidade. Nesse sentido, nota-se que inclusão digital dos idosos encontra-se prejudicada devido o preconceito enraizado na sociedade e a ausência de políticas educativas.
Em primeiro lugar, é importante destacar a relevância que o preconceito assume na perpetuação desse impasse. Segundo o sociólogo francês Emile Durkheim, esse fator pode ser classificado como um fato social, uma vez que apresenta coerção sobre os indivíduos a agirem conforme os demais. Nessa perspectiva, percebe-se que a influência de discursos preconceituosos contra a participação da terceira idade na web colaboram à assimilação de um padrão em que idosos não podem constituir esse ambiente, mesmo que ele monopolize cada vez mais as relações humanas. Assim, fica clara a segregação que o preconceito expõe essa expressiva parcela da sociedade.
Além disso, a falta de letramento digital aos idosos também representa um obstáculo a supressão dessa realidade. Devido à rápida evolução da tecnologia, é comum que os aparelhos digitais apresentem uma interface cada vez mais heterogênea - interfaces coloridas, teclados variados e comandos específicos. Essa característica apresenta um desafio à compreensão dos idosos: em consequência da idade, grande parte dessa população possui dificuldades visuais e físicas e, assim, não conseguem acompanhar o ritmo da evolução desses aparelhos. Dessa forma, é imprescindível adotar uma forma de ensino que forneça ao usuário as demandas básicas e fundamentais para a compreensão da realidade virtual.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas que mitiguem a problemática. Nesse contexto, para que a sociedade seja, de fato, inclusa na web, cabe ao Ministério da Educação, por meio da disponibilização de profissionais da educação e informática em escolas, fornecer cursos que ministrem a atuação de idosos na internet - de modo a instruí-los a realizar operações básicas, como o internet banking, e a combater o esteriótipo preconceituoso que existe contra eles. Dessa forma, será possível garantir a efetiva participação de todos àqueles que se viam excluídos na sociedade e, ademais, conectar os grupos que ainda não foram atingidos pelos avanços da Globalização.